Capítulo — Coração que sangra. " Coração que sangra, alma que vaga e eu sou o que sobrou do que um dia fomos." Kilian Schwarz Ajoelho-me outra vez da lápide fria, como se este fosse o único gesto que ainda resta, o único movimento que ainda faz algum sentido neste mundo que ficou torto sem a presença dela. A neve cobre a lápide, cobre o nome, mas não cobre a minha culpa — espessa, silenciosa, impiedosa. Retiro as luvas, uso as mãos nuas para limpá-la, mesmo quando a pele arde, racha, sangra quase sem que eu perceba. A dor física é pequena, irrelevante, diante do que carrego cravado no peito. Se eu parar, se eu deixar a neve vencer, é como admitir em voz alta que ela realmente se foi. E eu não consigo. Não consigo aceitar. Não consigo respirar com essa verdade inteira dentro de mim.

