Capítulo — Meu poema favorito. " As minhas digitais leem cada linha do teu corpo, minha língua reconhece cada rima e meus beijos provam do sabor de suas palavras. " Kilian O toque da minha língua contra a pele dela é o primeiro verso de uma estrofe que não admite rimas fáceis. Não há metáfora pronta que dê conta do que acontece nesse instante. Começo pela nuca, onde o cabelo recém-afastado revela uma alvura que parece brilhar sob o reflexo inquieto das chamas da lareira. A luz dança, viva, como se também estivesse curiosa. Sinto o corpo de Açucena estremecer — um solavanco suave, quase imperceptível — que percorre sua espinha e termina na ponta dos meus dedos, ainda firmes em sua cintura, com a reverência de quem segura um tesouro inestimável raro. Dentro de mim o sangue corre quente

