Capítulo — Álbum nosso. " Melhor álbum para se ter é o da memória, ela guarda, sem desbotar, cada lembrança." Açucena Perco a noção do tempo enquanto durmo, um sono pesado e reparador, desses que parecem costurar os pedaços soltos da alma. Quando desperto, estou sozinha. O quarto ainda guarda o cheiro da noite, uma mistura de pele, lençóis limpos e algo que só consigo definir como tranquilidade. Meu corpo dói de um jeito estranho, não é dor r**m — é lembrança. Cada músculo parece sussurrar o que vivemos. Foi intenso, foi doce, foi lindo. As imagens insistem em voltar, não como feridas abertas, mas como marcas quentes que se recusam a esfriar. Penso em levantar. A ferida na minha mão lateja, uma dor fina, persistente, quase um aviso de que ainda estou aqui, inteira, viva. Com cuidado,

