CAPÍTULO DOIS

1521 Words
CAPÍTULO DOIS Riley e Jennifer Roston ficaram sentadas encarando-se durante quase um minuto. O suspense era demasiado para Riley aguentar. Por fim, Roston disse, “Grande atuação, Agente Paige.” Riley sentiu-se picada e zangada. “Eu não tenho que aturar isto,” Disse Riley. Começou a levantar-se da cadeira para se ir embora. “Não, não vá,” Disse Roston. “Não se antes ouvir o que tenho para lhe dizer.” Então, com um sorriso estranho acrescentou, “Pode ficar surpreendida.” Riley sentiu-se como se soubesse perfeitamente bem o que ia na mente de Roston. Ela metera na cabeça destruir Riley. Ainda assim, Riley permaneceu sentada. Chegara o momento de esclarecer o que quer que se passasse entre ela e Roston. E para além disso, estava curiosa. Roston disse, “Antes de mais nada, penso que começámos m*l. Ocorreram alguns m*l-entendidos. Nunca foi minha intenção que fôssemos inimigas. Acredite em mim, por favor. Eu admiro-a. Muito. Vim para a UAC ansiosa para trabalhar consigo.” Riley foi apanhada de surpresa. A expressão facial e tom de voz de Roston pareciam perfeitamente sinceros. A verdade era que Riley ficara muito impressionada sobre tudo o que ouvira sobre Roston. Os seus resultados na academia tinham sido espantosos e já fora recomendada para trabalhar no terreno em Los Angeles. E agora, ali sentada a olhar para ela, Riley estava novamente impressionada com a conduta de Roston. A mulher era baixa mas compacta e atlética, e irradiava energia e entusiasmo. Mas agora não era altura de Riley elogiar a nova agente. Houvera demasiada tensão e desconfiança entre elas. Após uma pausa, Roston disse, “Penso que temos muito a oferecer uma à outra. Neste momento. Na verdade, tenho a certeza de que ambas queremos a mesma coisa.” “Que é o quê?” Perguntou Riley. Roston sorriu e inclinou ligeiramente a cabeça. “Por um ponto final na carreira de criminoso de Shane Hatcher.” Riley não respondeu. Demorou um momento para Riley registar que as palavras de Roston eram a mais pura verdade. Para ela, Shane Hatcher já não era um aliado. Na verdade, era um perigoso inimigo. E tinha que ser parado antes que fizesse m*l a algum ente querido de Riley. Para tal, ele tinha que ser apanhado ou morto. “Diga-me mais coisas,” Disse Riley. Roston acomodou o queixo à mão e debruçou-se na direção de Riley. “Vou dizer algumas coisas,” Disse ela. “Gostaria que ouvisse sem falar. Não negue nem concorde com aquilo que vou dizer. Limite-se a ouvir.” Riley anuiu com algum desconforto. “A sua r*****o com Shane Hatcher prosseguiu depois da fuga de Sing Sing. Na verdade, tornou-se mais intensa do que nunca. Comunicou com ele mais do que uma vez – várias vezes, tenho a certeza, pessoalmente de forma ocasional. Ele ajudou-a em casos oficiais e ajudou-a em situações mais pessoais. A sua r*****o com ele tornou-se – como é que se diz? Simbiótica.” Riley teve que se conter bastante para não reagir ao que era dito. É claro que era tudo verdade. Roston prosseguiu, “Tenho a certeza que tinha conhecimento da sua presença na cabana. Na verdade, o mais provável é ter concordado. Mas a morte de Shirley Redding não foi um acidente. E não fazia parte do acordo. Hatcher está fora de controlo e não quer ter mais nada a ver com ele. Mas tem medo dele. Não sabe como cortar a ligação.” Instalou-se um silêncio inquietante entre Riley e Roston. Riley interrogou-se como é que ela sabia tudo aquilo. Parecia estranho. Mas Riley não acreditava em telepatia. Não, é só uma grande detetive, Pensou Riley. Esta nova agente era extremamente esperta e os seus instintos e intuição pareciam ser tão fortes como os de Riley. Mas o que é que Roston estava a tentar fazer agora? Estaria a montar uma armadilha, a tentar obrigar Riley a confessar tudo o que tinha sucedido entre ela e Hatcher? O instinto de Riley dizia-lhe o contrário. Mas atrever-se-ia a confiar nela? Roston sorria enigmaticamente outra vez. “Agente Paige, pensa que não sei como se sente? Pensa que não tenho os meus próprios segredos? Pensa que não agi erroneamente e fiz um pacto com quem não devia? Acredite em mim, sei exatamente com o que está a lidar. Arriscou e às vezes as regras têm que ser quebradas. Por isso quebrou-as. Não são muitos os agentes que têm essa coragem. Quero muito a sua ajuda.” Riley estudou o rosto de Roston sem responder. Foi novamente atingida pela sinceridade da nova agente. Riley detetou um sorriso soturno a formar-se nos cantos da sua boca. Parecia que algo obscuro se insinuava em Roston, tal como acontecia com Riley. Roston disse, “Agente Paige, quando comecei a trabalhar no caso Hatcher, deu-me acesso a todos os ficheiros de computador relacionados com ele, exceto um denominado ‘PENSAMENTOS’. Estava listado no índice, mas não o consegui encontrar. Disse-me que o apagou. Disse que eram apenas algumas notas sem importância e escritos redundantes.” Roston recostou-se na cadeira, parecendo relaxar um pouco. Mas Riley estava tudo menos descontraída. Tinha eliminado o ficheiro denominado PENSAMENTOS de forma precipitada, um ficheiro que continha informação vital sobre as ligações financeiras de Hatcher – ligações que o permitiam manter-se em fuga ao mesmo tempo que detinha considerável poder. Roston disse, “Tenho quase a certeza de que ainda tem esse ficheiro.” Riley conteve um estremecimento de alarme. A verdade era que ela guardara o ficheiro numa pen. Muitas vezes pensara em simplesmente apagá-lo, mas não o conseguia fazer. A influência de Hatcher sobre ela fora poderoso. E talvez ela pensasse que poderia utilizar aquela informação algum dia. Em vez de o apagar, mantivera-o por uma questão de indecisão. Encontrava-se na mala de Riley naquele preciso momento. “Tenho a certeza de que esse ficheiro é importante,” Disse Roston. “Na verdade, pode conter informação de que preciso para prender Hatcher de uma vez por todas. E ambas queremos que isso aconteça. Tenho a certeza.” Riley engoliu em seco. Não devo dizer nada, Pensou. Mas será que tudo o que Roston dissera não fazia perfeito sentido? Aquela pen podia muito bem ser a chave para libertar Riley das garras de Shane Hatcher. A expressão de Roston suavizou-se mais. “Agente Paige, vou fazer-lhe uma promessa solene. Se me facultar essa informação, ninguém jamais saberá que a reteve. Não direi a ninguém. Nunca.” Riley sentiu a sua resistência a ruir. O seu instinto dizia-lhe que podia confiar na sinceridade de Roston. Pegou silenciosamente na sua mala, retirou a pen e entregou-a à agente mais nova. Os olhos de Roston dilataram-se ligeiramente, mas não proferiu uma palavra. Apenas assentiu e colocou a pen no bolso. Riley sentiu uma necessidade desesperada de quebrar o silêncio. “Quer discutir mais alguma coisa, Agente Roston?” A agente deu uma risadinha. “Trate-me por Jenn, por favor. Todos os meus amigos o fazem.” Riley observou Roston a levantar-se. “Se não se importar, não a tratarei de outra forma que não por Agente Paige. Pelo menos até se sentir confortável para que seja de outra forma. Mas por favor, trate-me por Jenn. Insisto.” Roston saiu da sala, deixando Riley ali sentada num silêncio espantado. * Riley foi para o seu gabinete tratar de papelada. Quando não estava a trabalhar num caso, aguardava-a sempre toneladas de tédio burocrático e só desaparecia quando regressava ao terreno. Era sempre desagradável, mas naquele dia estava a seer especialmente difícil concentrar-se no que estava a fazer. Começava a preocupar-se cada vez mais com a possibilidade de ter cometido um erro pateta. Porque raio acabara ela de entregar aquele ficheiro a Jannifer Roston – ou “Jenn” como ela insistira que Riley a tratasse? Era nada mais, nada menos do que uma confissão de obstrução da parte de Riley. Porque é que entregara aquela informação àquela agente em particular quando nunca a mostrara a mais ninguém? Será uma jovem agente ambiciosa não a reportaria a transgressão de Riley aos seus superiores – talvez mesmo ao próprio Carl Walder? A qualquer momento, Riley podia ser presa. Porque é que não se limitara a apagar o ficheiro? Ou podia ter-se livrado dele como fizera com a corrente de ouro que Hatcher lhe dera. A corrente fora um símbolo da sua ligação a Hatcher. Também continha um código para entrar em contacto com ele. Riley deitara-a fora num esforço frenético para se libertar dele. Mas por qualquer razão, não conseguira fazer o mesmo com a pen. Porquê? A informação financeira que continha era suficiente para limitar os movimentos e atividades de Hatcher. Até o podia parar de vez. Era um enigma, tal como tantos aspetos da sua r*****o com Hatcher. Enquanto Riley mexia em papéis na sua secretária, o telemóvel vibrou. Era uma mensagem de um número desconhecido. Riley perdeu o fôlego quando viu o que dizia. Pensava que isto me parava? Tudo foi mudado. n******e dizer que não foi avisada. Riley sentiu dificuldade em respirar. Shane Hatcher, Pensou.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD