GB Senti um leve latejar e mexi o dedão. Ágata sorriu, toda animada. Revirei os olhos. Beatriz, então, tava sorrindo de orelha a orelha, como se aquilo fosse o maior acontecimento do mundo. Eu, sinceramente, só tava impaciente. Tô há mais de três meses sem conseguir andar. Já parei no hospital umas duzentas vezes porque caí e me machuquei feião. Cansado, mano. Cansado real. Já entendi que nunca mais vou dar um passo nessa vida. Eles ficam falando e falando que vai acontecer, que é questão de tempo... mas eu sei que não vai. Bea: Por que você não tá feliz? — me olhou. — Você conseguiu mexer o dedo, isso é bom! GB: O dedo é uma coisa. Andar é outra. Ágata: Não diga isso. Mexer os dedos é o primeiro passo pra voltar a andar, GB. É assim mesmo: pra recuperar os movimentos, a gente precisa

