Episódio 1

1478 Words
Antes de sair do local, ligo para Lucas. — Onde você está? — Esperando aqui embaixo, Senhor, nem pense que eu ia deixá-lo sozinho. Se eu fizer isso, corro o risco do seu irmão me dar um tiro na cabeça. Saio do prédio, definitivamente esta área não é nada exclusiva, muito menos do tipo de lugares que costumo frequentar. Chego até a rua e vejo Lucas sair do Maybach preto para me abrir a porta de trás. — Você me trouxe até aqui? Pergunto sem nenhum tipo de cortesia. — Não, senhor. — Então, como dia*bos eu cheguei aqui? — Senhor, o senhor estava no clube, de repente a morena apareceu, depois de um par de bebidas no bar, o senhor a convidou para dançar. Pensei que iria para o VIP, mas não foi assim. Vocês estavam na pista dançando e de repente saíram apressadamente do local e quando eu saí, eles já tinham pegado um táxi, que os trouxe para este lugar. Felizmente, consegui segui-los. Senhor, acho que o senhor deve evitar se expor assim, lembre-se do que aconteceu com o irmão do senhor. — Sim, eu sei. — Pelo menos espero que o risco tenha valido a pena, senhor. Apenas sorrio, mas não respondo. — Nem pense em dizer nada ao meu irmão, muito menos à Natasha. — Sinto muito, senhor, mas o irmão do senhor já ligou para o meu telefone, quando percebeu que o senhor não chegou, principalmente para se certificar de que estava bem, ele pediu que eu enviasse a localização do senhor e, como o senhor entende, eu tive que enviar. — Dia*bos, vou ter ele me dando sermão para sempre. — Melhor evitarmos o drama, leve-me ao apartamento e de lá vou para o escritório. — Como o senhor ordenar. Tenho um penthouse luxuoso, que uso pouco. Passo a maior parte do tempo na mansão. Gosto desse ambiente familiar que a chegada da Natasha trouxe. Só que arrumei outra mãe, ela se preocupa muito comigo. Mas às vezes ela exagera. Sou um homem, não uma criança, embora, segundo ela, eu aja como tal. A cobertura está localizada numa área exclusiva de Roma, é central, mas ao mesmo tempo uma área tranquila. Entramos no lugar, Lucas também tem o seu quarto aqui, ele é meu guarda-costas pessoal, então dificilmente nos separamos. Por isso, preparei um lugar para quando eu ficar aqui. Demoramos mais ou menos 30 minutos para nos arrumar e sair de novo. — Lucas, me leve ao escritório e volte para descansar, não pretendo sair da empresa. — Prefiro fazer isso no veículo, senhor. — Como quiser, mas quando doer as costas, não me culpe. Chegamos ao estacionamento, saio do carro e entro no saguão, poucas pessoas estão chegando a esta hora. O sorriso e a voz coquete da recepcionista me recebem. — Bom dia, senhor Ferrara. — Bom dia. Respondo secamente. Dirijo-me ao elevador, que abre as suas portas imediatamente, pressiono o botão, encosto a cabeça na parede metálica, preciso de uma aspirina, a ressaca está me matando. Justo no momento em que as portas estão prestes a se fechar, alguém de fora aperta o botão, fazendo com que elas se abram novamente. Nesse exato momento, vejo uma mulher entrar, com olhos cor de mel, pele branca, cabelo castanho mais abaixo dos ombros. Ela está usando uma camisa branca de mangas compridas, com um elegante laço no pescoço e uma saia lápis azul-marinho. Um cheiro de baunilha inunda o elevador assim que ela entra. — Bom dia. Ela cumprimenta de forma cordial. Respondo apenas com um movimento de cabeça. Vejo-a marcar o andar para onde vai e se colocar em um canto do elevador. O resto da viagem é em silêncio até que ela desce, dois andares antes do da presidência. É uma garota, realmente linda, simples, pouco sofisticada, mas com uma beleza natural que não precisa de muito para se destacar. Chego ao meu andar e saio do elevador, a senhora Michell, minha secretária, já está no seu posto. — Bom dia. — Bom dia, Michell. Por favor, preciso de 2 aspirinas e um café bem forte. Costumo ser um homem pouco atencioso, mas esta senhora é um amor comigo. — Já vou, meu menino. Entro no meu escritório e me acomodo. Minutos depois, vejo Michell entrar com o que pedi a ela. A manhã transcorre tranquila, até que a minha cunhada irrompe irritada no meu escritório. — Você está bem? — Sim, Natasha. — Seu irmão está furioso. Como você foi se meter naquele lugar? Você está colocando sua segurança em perigo, Santiago? — Sim, eu sei. Não vai acontecer de novo. Eu exagerei na bebida. — Espero que não. — Você parece minha mãe, Natasha. E para sua informação, eu não sou mais uma criança. Embora você e meu irmão pensem que sim. — Então comporte-se como um adulto maduro, Santiago. Andar de mulher em mulher, como um macaco de liana em liana, não é o melhor exemplo de maturidade. — E o que se pode dizer de ter um relacionamento e me casar? Porque deixe-me dizer que não quero isso, só porque funcionou para vocês não significa que seja bom para mim. Além disso, o que você quer que eu faça? Não gosto de repetir mulheres, estou com uma mulher e pronto, já perdeu a graça. Não é minha culpa, elas é que são chatas. — Pois espero que quando você encontrar a certa, não seja ela a que não se interessa em repetir. Diz Alonso entrando no meu escritório. — Você já ouviu falar alguma vez sobre karma? — Isso não vai acontecer, não me interessam relacionamentos amorosos, nem compromissos, sou uma alma livre. — Menino, não te disseram que um falastrão cai mais rápido que um coxo? — Não vai acontecer! E pare de me chamar de menino. Respondo irritado. — Em uma hora temos reunião, diz meu irmão. Chegue a tempo e faça algo para melhorar sua cara de bêbado de ressaca. — Ashhh. Respondeu com raiva. Saio do meu escritório, a caminho da sala de reuniões. Meu irmão e Natasha já estão lá, e minha secretária também. Augusto e Soraya estão chegando na mesma hora que eu, então aproveito para cumprimentá-los. — Só falta o Victor? Pergunto ao tomar o meu lugar. — E a minha assistente que não tarda em chegar, pedi para ele ir buscar uma documentação. — Hoje teremos visita. Diz Alonso. — Há algumas pessoas interessadas em investir na companhia marítima. — Eu os conheço? Pergunto com um pouco de curiosidade. — De fato, sim, trata-se de Angelo Ricci e seu filho Alberto. Esboço um sorriso, Alberto é meu amigo há anos, será divertido tê-lo por aqui. A porta da sala de reuniões se abre, deixando entrar Los Ricci e Víctor, seguidos pela garota que vi esta manhã no elevador. Saúdo meu amigo e o seu pai, assim como fazem os demais presentes. Enquanto Natasha toma a palavra para iniciar a reunião. — Bom dia, acho que todos os presentes já nos conhecemos, então só vou aproveitar para apresentar a minha nova assistente, o nome dela é Dania Rinaldi e há uma semana ela se juntou à minha equipe. — Bom dia. responde à moça com voz muito segura e um sorriso deslumbrante. — O motivo desta reunião é ouvir a proposta de investimento dos senhores Ricci. Como sabem, a empresa de navegação é um negócio familiar, mas nunca nos fechamos a novas propostas. Diz Natasha. A reunião está correndo conforme o previsto, no entanto, informamos aos Ricci que levaremos um tempo para revisar sua proposta e informá-los da nossa decisão. Todos saímos da reunião, sendo Alberto e eu os últimos, seguidos pela assistente da minha cunhada, que estava deixando tudo em ordem na sala. — A assistente da sua cunhada é bonita. Você não acha? Alberto me pergunta em francês, suponho que com a intenção de que ela não o entenda, já que ela está perto de nós. — Bonitinha, mas muito comum. Respondo também em francês. Caminhamos em direção ao elevador, para subir até o meu escritório, já que Alberto deseja conhecê-lo. Alberto e eu entramos no elevador e, para nossa surpresa, a garota também o faz. Continuamos conversando sobre temas banais, até que a campainha do elevador toca e ele para no andar que ela marcou. Assim que as portas do elevador se abrem, vejo-a virar-se para nós. — Obrigado, senhor Ricci, pelo seu elogio. Com licença, senhores. Ela diz num francês perfeito. — Caramba, ela entendeu tudo e você chamou ela de comum, Santiago. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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