Desespero

3521 Words
Já fazia uma semana desde o dia em que Fábio tinha beijado Luana. Ele não conseguia tirá-la da cabeça, mas decidiu dar um espaço a ela, afinal ela recém tinha perdido o namorado, e apesar de ele ser um canalha, ela esperava um filho dele. Mas hoje ele estava decidido, iria ligar para ela, e marcar um jantar. Quem sabe ela o havia perdoado daquele beijo inesperado. Estava começando seu plantão e a emergência já estava lotada. Era verão, mas também época de tempestades. Logo cedo podia-se notar as nuvens escuras no céu, com certeza viria uma forte tempestade. Era cirurgião, o melhor que tinha no hospital, se orgulhava disso, mas em dias como hoje, todos eram iguais e iam para a emergência ajudar. A forte tempestade começara fazia menos de meia hora, e já estavam lotados, um engavetamento de carros ocorreu devido a queda de uma árvore em uma avenida, e havia deixado muitos feridos. Luana estava ansiosa em seu apartamento, já fazia uma semana desde que Fábio havia saído pela sua porta. Ela precisava pensar, mas já estava nervosa. Ele havia sido tão legal com ela, mas será que era apenas interesse? Será que só queria se aproveitar dela naquele momento difícil? Estava remoendo isso na mente, quando lembrou dos olhos dele, aqueles doces e penetrantes olhos azuis. Não, ele não faria isso, ela também sentiu atração por ele, mesmo estando em um momento como aquele. Foram as emoções que os descontrolaram. Soube quando ligou para o hospital no dia seguinte ao acidente que os pais de Pedro haviam ido lá e organizado tudo para o funeral. Não haviam ido atrás dela depois de uma semana, isso queria dizer que não sabiam dela, e isso era o melhor. Resolveu sair de casa, para aliviar a tensão. Havia pedido licença no trabalho para se recuperar uns dias, tinha umas férias vencidas e aproveitou para tirar 15 dias de folga. Sorriu para si mesma, alisando a barriga, ainda reta, daqui há 10 dias teria sua primeira consulta com a ginecologista, estava animada, por fim teria uma família de verdade, um pedacinho seu. Se arrumou cuidadosamente, colocou um par de sandálias baixas, um vestido floral que ia até os joelhos, prendeu seu cabelo longo em um r**o de cavalo e passou uma leve maquiagem. Depois de tantos dias em casa, precisava se reerguer e encarar a vida de frente. Durante o tempo que esteve com Pedro não havia comprado nada pra ela, então hoje, decidiu que iria comprar roupas novas. Isso mesmo, para uma nova fase na vida, ela precisava de novas roupas. Sorriu satisfeita com o que viu no reflexo do espelho. Pegou sua bolsa, e um guarda chuva, já que as previsões climáticas diziam que iria chover. Saiu de seu prédio, olhou o céu nublado e quase voltou pra casa, mas não, ela tinha que aliviar a cabeça, e nada melhor que um passeio. Tentou chamar um taxi, mas pelo visto estavam todos atendendo pessoas com medo da tempestade que vinha se aproximando. Respirou fundo e resolveu andar um pouco. O shopping era um pouco longe de seu bairro, mas uma caminhada lhe faria bem. Afinal, se começasse a chover no caminho, pararia e tentaria chamar um taxi novamente. Já no meio do trajeto, Luana se sentia cansada, devia ser pelo calor excessivo ou pelo início da gravidez. Andou mais um pouco e a chuva começou forte, com rajadas intensas de ventos, ela corria com seu guarda chuva, pensando em como fora tola em sair a pé com um tempo daqueles. Correu por duas quadras sem encontrar nenhum local aberto para se proteger. Todos haviam fechado seus comércios, com medo da tempestade. De repente sem se dar conta, uma árvore estava caindo, correu para o lado para se desviar, mas foi atingida por um carro que também se desviava da árvore. Luana não sabia direito o que estava acontecendo, só lembrava de estar correndo da chuva, e agora ouvia gritos, barulho de sirenes, mas não conseguia se mexer nem abrir os olhos. Fábio estava atendendo um senhor que acabara de chegar, o senhor chorava desesperado, contando que atropelou uma moça. Perguntava como ela estava, se estava bem. Fábio tentava acalmá-lo: - Calma senhor, ela deve estar bem, se não está vai ficar, ela veio para o melhor hospital da cidade, além de que não soube de mortes ou casos graves do acidente. ATENÇÃO DR. FÁBIO FAVARETTO COMPARECER A SALA DE EMERGENCIA TRAUMA 2 ATENÇÃO DR. FÁBIO FAVARETTO COMPARECER A SALA DE EMERGENCIA TRAUMA 2 O autofalante chamava Fábio insistentemente, Fábio se desculpou com o senhor e foi a sala que o chamavam. Ao entrar na sala, paralisou. Era ela, era Luana. Estava com um vestido florido rasgado, faziam compressões violentas nela pois estava com uma parada cardíaca. Ele não conseguir entender o que estava acontecendo, como Luana fora parar lá, naquele estado? Ouvia os médicos o chamando mas não conseguia se mover. Um desespero tomou conta de seu coração. Poderia perdê-la sem ao menos tê-la? Os médicos o encaravam preocupados e perguntavam se estava tudo bem. Ele ficou parado, sem conseguir responder. Outro médico mais experiente chegou e começou a dar ordens e comandos, encaminhando Luana para a sala de cirurgias. Dr. Arthur Gonçalves o olhou nos olhos e falou de modo sério e rápido: - Está tudo bem ? Pode realizar a cirurgia? Ela foi atropelada no acidente que aconteceu pela queda da árvore, esta com hemorragia interna, precisamos parar o sangramento. Fábio ouvia desesperado, até que respondeu: - Ela está grávida. Não consigo... precisam salvá-la, e seu bebê... - Estava ficando pálido. Arthur chamou uma enfermeira para ajudar Fábio. Olhou nos olhos do amigo que conhecia a tanto tempo, viu insegurança e medo. Nunca havia presenciado o amigo nesse estado, nem mesmo quando descobrira da morte de seu pai. Ele sempre era contido, alegre e profissional. Sentiu pena do amigo e garantiu: - Vamos salvá-la! Uma enfermeira, acompanhou Fábio até a sala dos médico, ofereceu um copo de água, que ele pegou em modo automático. Nunca pensou que pudesse se apaixonar tão rápido, por uma desconhecida, vivendo uma bagunça. Nunca quis sofrer como sua mãe e perigar morrer de amor. Ele sempre saia com mulheres legais, mas dessa vez era diferente. Ele sentia que precisava estar com ela. Era mais forte que ele, mais forte que sua própria vontade. Não podia perdê-la... não podia. Se levantou e correu para sala de cirurgias. Entrou e foi parado por um enfermeiro que o alertou que não podia entrar, mas podia ver pelo vidro da sala de residência cirúrgica, sem pensar duas vezes Fábio correu para a sala ao lado, precisava acompanhar a cirurgia de Luana, quem sabe suas orações surtiriam efeito. Ao entrar lá, se arrependeu na mesma hora. Ela estava coberta com dois lençóis que lhe cobriam os p****s e a baixo da cintura. Os cirurgiões estavam a operando, não conseguia ver mais, as lágrimas escorriam por seus olhos. Ele havia prometido a si mesmo que a protegeria, que a faria feliz, e a deixou sozinha. Não ligou nem mandou mensagem, como pôde deixá-la sozinha? ... sentou em uma cadeira com as mãos no rosto. Quem o via nesse estado não acreditaria que ele era o mais forte médico daquele hospital, não acreditaria que a poucas horas atrás estava gargalhando com um paciente antigo. Ele se importava com as pessoas, mas nunca ultrapassava o nível profissional, não podiam se envolver assim. O que acontecera com ele ? Luana acordou com dor de cabeça, abriu os olhos e viu uma luz branca, estava em um hospital. Como fora parar ali. Sua cabeça latejava, levou a mão na cabeça com dificuldade. Uma enfermeira entrou na sala sorrindo: - Tudo bem Srta. Luana. Me chamo Melissa, como está se sentindo ? - Com dor de cabeça. O que aconteceu? Porque estou neste hospital ? - Perguntou com a mão na testa. - Bem a senhora sofreu um acidente, foi atropela no meio de uma tempestade. - Dissera a enfermeira ajustando o soro em seu braço. Enquanto a enfermeira falava Luana via as lembranças voltando, as sirenes, os médicos gritando e correndo, não lembrava direito, mas sabia que foi grave. - Enfermeira... - Tinha medo de perguntar, mas precisava saber. Respirou fundo e tomou coragem. - Meu bebê, está bem? Eu estou grávida, de poucas semanas. - Luana já começava a chorar antecipando o que vinha a seguir. Melissa ficou séria, lembrou que haviam feito de tudo, mas quando terminaram a cirurgia viram que a gravidez de Luana era ectópica, não havia o que fazer, o feto estava fora do útero, não tinha como sobreviver ali, além do mais poderia matá-la caso rompesse. - Luana, vou verificar com o Dr. Gonçalves, só um momento. - E saiu do quarto. Assim que a enfermeira saiu, Luana caiu no choro. - Como isso foi acontecer? Porque eu decidi sair com aquele tempo. Oh como fui burra. Perdi meu bebêzinho sem nem ao menos ter a chance de saber se era menino ou menina. - Luana... Luana ergueu a cabeça e viu Fábio, com o olhar fundo, olheiras enormes, despenteado e barba por fazer. Com roupas normais, e um buquê de flores rosas na mão. Seu rosto denunciava sua preocupação. Seria com ela? Como? m*l se conheciam. Ele se aproximou lentamente, segurou sua mão: - Que bom que você acordou. - Ele disse com um leve sorriso, mas seu olhar continuava triste. - Fábio... obrigada por estar aqui, mas não precisa - Fábio a interrompeu - Precisa sim Luana. Você está aqui deitada nessa cama há 15 dias. Luana, 15 dias!!! - Ela pode ver as lágrimas em seus olhos e se surpreendeu, ele estava realmente preocupado com ela. - Eu não durmo direito, não como, não vou pra casa. Eu não acredito que você acordou e está bem... - Ele se ajoelhou na beirada da cama, beijava a mão de Luana e chorava. Luana nunca imaginou aquela cena em sua vida. Como ele podia estar tão preocupado com ela. Tá certo que se sentiram atraídos um pelo outro, e que ele tentara beijá-la. Mas a ponto de se ajoelhar em sua cama... Ela passou as mão naqueles cabelos lisos, pode sentir o aroma de pêra suave. Devia ser de seu shampoo, na outra vez que o vira, ela não conseguira nem prestar a atenção em seu cheiro... - Fábio... - Uma voz interrompeu. Luana ergueu a cabeça e encontrou um homem moreno, com uma barba bem feita e olhos pretos. Ele sorriu pra ela e disse. - Luana, eu sou o Dr. Arthur Gonçalves. Cuidei de você esse período que esteve aqui. Pigarreou e olhou para Fábio. Sabia que o amigo estava feliz por vê-la bem e acordada. Já o havia agradecido centenas de vezes por salvar a vida dela. Mas como ela ainda não acordava ele não parava de sofrer. Não sabia como tinham se conhecido, nem se o filho que ela ia ter era dele, ficou com receio de perguntar. Olhando para Fábio pode ver que o amigo estava com os olhos vermelhos, mas havia algo mais que ele não soube identificar na hora. - Fábio, preciso conversar com Luana, poderia nos dar licença? - Sabia que estava correndo risco de magoar o amigo, mas não sabia a relação deles e se podia falar na frente dele. Esses últimos dias Fábio m*l saía daquele quarto, e ele teve que cobrir seus plantões, então não tiveram tempo de conversar. - Não vou sair Arthur! - Fábio respondera por entre os dentes. - Tudo bem pra você Luana? - Arthur se direcionou a ela . - Sim Dr. Arthur, pode falar! Fábio e eu somos amigos. - Ela apertou a mão dele que estava sobre a sua.  Fábio sentiu uma vertigem. Ele precisava esclarecer isso. Ele não a queria como amiga apenas, ele queria protegê-la, estar com ela, amá-la, fazê-la feliz para sempre. Teria de convencê-la! Pensando nisso Fábio olhou para o amigo que o encarava incrédulo. Como podia Fábio estar a beira da loucura por uma amiga? Arthur estava confuso, mas decidiu não questionar nada e falar as notícias que tinha. - Luana, você correu grande risco de vida. - Respirou fundo. - Fizemos de tudo para salvar você e seu bebê. Luana ouvira tudo que o médico dissera com atenção. Ela já esperava por isso, desde o momento que viu a cara da enfermeira quando lhe perguntou sobre seu bebê. Ela achou que seria pior, mas saber que não fora sua culpa, que independente do acidente ela o perderia, fez ela se sentir confortada. Fábio ficou ao seu lado, segurando sua mão. Quando Dr. Arthur terminou de explicar tudo, Luana deixou algumas lágrimas caírem. - Dr. você sabe me dizer se era menino ou menina ? - Perguntou Luana. - Luana, sinto muito por sua perda. Era um menino. Espero que possa se recuperar bem e logo poderá ir para casa. Aconselho também, um tratamento psicológico por um tempo, sei que essa situação não é fácil. - Dr. Arthur falou, pediu licença e se retirou. Fábio olhava o amigo sair, e estava com um pouco de raiva de vê-lo falando assim, tão carinhoso com Luana. Sabia que Arthur era um mulherengo, e não deixaria que se aproximasse de Luana. Sua atenção se voltou para Luana, que estava um pouco pálida. - Tudo bem Luana? - Sim. - Ela respondeu de maneira suave. Ela sempre fora uma boa garota, e com seus esforços sua vida tinha melhorado muito. Ela passaria por aquela fase difícil e tudo ficaria bem. - Quer que eu peça para trazerem algo pra você comer ? - Não, obrigada. Estou bem. - Sorriu para ele. Fábio sabia que ela precisava de um tempo para assimilar tudo que ocorrera, mas não conseguia pensar em se afastar. Sentou-se na cadeira disposta ao lado da cama, e ficou observando Luana. Luana estava absorta em seus pensamentos, não percebia o homem vidrado nela. Depois de tudo que passou, Luana só queria ir pra casa, chorar um pouco, para então conseguir se levantar e seguir em frente com sua vida. sempre estivera sozinha, não seria um problema. Se acostumara com sua própria companhia, tinha muitos livros para ler e muitos filmes que queria ver. Suspirou e observou o quarto ao seu redor. Era amplo, bem arejado e iluminado, possuía uma janela grande ao seu lado direito, a sua frente uma televisão, do outro lado um sofá de dois lugares verde escuro e um pequeno armário. Parou-se ao encontrar os olhos de Fábio. Como um homem tão bonito e cirurgião tão ocupado podia estar ali somente por preocupação com ela? - Fábio, agradeço sua preocupação, mas não quero que interrompa sua vida por minha causa. Logo voltarei para casa e para meu trabalho. Não precisa ficar aqui o tempo todo comigo. - Ao mesmo tempo que falava Luana sentia uma pontadinha no coração. Estava apreciando a presença dele, mas sabia que era um homem ocupado, e pelo que tinha ouvido dele mesmo, ele não vinha trabalhando só para ficar com ela. Fábio pensou um pouco antes de responder. Não queria ser rude e dizer que ele ficaria ela querendo ou não. Ele já tinha quase a perdido uma vez, não cometeria o mesmo erro. Tinha que pensar em algo para mantê-la perto. - Luana, não é sacrifício para mim. Eu estive aqui porque quis. E não pretendo deixá-la sozinha. - Fábio falou de modo firme porém carinhoso. Luana estava cansada, não queria discutir. Além do mais era bom ter ele por perto. Ela sorriu timidamente e fechou os olhos. Logo adormeceu. Após ouvir que Luana tinha pego no sono e não havia insistido em ficar sozinha, Fábio sentiu-se aliviado e com esperanças de conseguir mantê-la por perto tempo suficiente para conquistá-la. Decidiu que precisava conversar com Arthur, mas antes iria passar em seu apartamento para um bom banho e trocar de roupa. Avisou a enfermeira que sairia, mas logo retornaria. Cerca de 3 horas depois Fábio estava de volta ao hospital, procurou por Arthur. Arthur estava em sua sala, revendo uns prontuários, quando ouviu alguém bater na porta. Ergueu a cabeça e viu Fábio, que parecia renovado. Sorriu para o amigo e mandou que entrasse. - Fábio, vejo que está melhor. Fico feliz. - Arthur, precisamos conversar. - Fábio estava sério. Arthur franziu a testa. - Tudo bem ? Sente-se. O que aconteceu ? - Luana. - Ah sim, não se preocupe, ela está se recuperando rápido, é uma moça forte. Em dois dias terá alta. - Ela não está disponível, eu cuidarei dela. - Disse fitando o amigo com intensidade. Arthur não estava entendendo, mas então lembrou-se do olhar de Fábio para ele no quarto de Luana. Então era isso, ele não gostou quando disse que vinha cuidando de Luana durante o tempo que ela estava no hospital. Ele estava com ciúme. Arthur sorriu largo. - Fábio, deixa de bobagem, sabe que nunca tentei nada com suas paqueras. - Ela não é uma paquera Arthur. É muito mais que isso. Arthur provocou-o. - Interessante, antes eu ouvi ela dizendo que vocês eram amigos... - Falou passando a mão no queixo. Antes que terminasse a brincadeira Fábio estava em pé com os punhos cerrados. Fábio era um pouco mais alto e ombros mais largos que os dele. Não queria brigar com o amigo, só estava o provocando. Com mãos rendidas falou - Ou ou ou amigo, estou brincando, sente-se aí! Fábio sabia que Arthur era seu amigo, que nunca interferiria em sua vida, mas ouvi-lo dizer aquilo de modo sugestivo o tirou do controle. - Está avisado, voltarei ao trabalho assim que Luana ganhar alta. - Fábio sabia que não podia negligenciar o trabalho. Apesar de ser o melhor ali, sabia que ninguém era insubstituível, e ele amava trabalhar naquele hospital. Fizera residência ali, depois trabalhou em consultório e em clínicas, mas sua paixão era ali, no hospital. Ao chegar no quarto encontrou Luana acordada com seu celular nas mãos. Sorriu para ela e brincou: - Sentiu minha falta? - Oi Fábio. - Luana sentiu o coração disparar. Fábio vestia uma camisa preta de mangas curtas, deixando a mostra os braços fortes e definidos, uma calça azul escuro e tênis. Sua barba estava bem feita e os cabelos penteados. Sentiu seu perfume que a inebriou, e que sorriso era aquele? Ele queria matá-la do coração? Só podia ser isso! - Ahn obrigada por tudo, mais uma vez. - Luana não sabia como reagir a tudo que sentia dentro dela. Estava triste com sua perda, mas estava feliz de estar viva e ter mais uma chance de recomeçar a vida. E aquele homem a estava deixando confusa. Fábio não desgrudava os olhos dela, faziam poucas horas que ela havia acordado, e podia ver todo aquele brilho que só ela tinha. Os olhos amendoados, pareciam ser de vidro, reluziam. A boca carnuda bem vermelha o convidava a um beijo. Ela estava somente com a roupa fina do hospital, o que permitia que ele visse sua pele sob o tecido fino. O que ele estava sentindo em seu estomago não parecia normal. Se revirava com um frio estranho, seu coração estava descompassado, e tinha medo de permanecer em pé e ela perceber sua ereção. Sentou rapidamente na cadeira ao lado dela. - Não precisa agradecer, é um prazer estar ao seu lado. - Ele a olhava de modo intenso. Luana sorriu sem querer. Aqueles olhos azuis era perfeitos demais, a voz dele fazia arrepiar os cabelos de sua nuca. Quando deu por si, estava com a mão no rosto dele. Fábio a olhava fixamente, sentir sua mão no seu rosto o fez perder o último resquício de controle. Se aproximou e a beijou. Mas não foi um beijo suave como naquele primeiro dia. Foi um beijo urgente, faminto, desesperado. Luana não recuou quando o viu se aproximar. Ela soube o que ele ia fazer antes que fizesse. Mas ela ansiava por aquele beijo. Desde o dia em que ele deixou sua casa, ela não conseguia esquecer aqueles lábios. O beijo foi profundo, foi forte, a fez gemer. Fábio se afastou, vermelho, com os olhos estreitos. Não poderia passar a noite ali com ela, ou arrancaria aquele avental que a cobria e a tomaria ali mesmo. Se levantou, passou as mão nos cabelos. Luana se assustou, pensava que ele queria aquilo, e ela também queria. Houve uma mudança dentro dela. Ele não podia em hipótese nenhuma ser apenas amigo dela. Ao vê-lo se afastar, sentiu suas mãos gelarem. Olhou naqueles olhos e viu desejo. Porque então ele se afastou dela? - Luana, você acabou de acordar, depois de 15 dias, depois de uma cirurgia séria, depois de quase... - ele não terminou a frase, não podia nem cogitar isso. - Precisa descansar. Estarei na sala de espera, se precisar de algo, me chame. Você tem meu número de celular. Então era isso. Ele estava com medo de machucá-la. Seu coração se derreteu um pouco nesse momento. Podia um homem lindo, médico, educado, sensual e sensível desses estar interessado nela ?
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