LOLA
"O QUE A GENTE ESTÁ FAZENDO, DEIXANDO O CARRO NO BAR? NÃO DÁ PRA
CHAMAR
um Uber?" Pergunto a Violet enquanto descemos para o estacionamento.
"Lola, aqui é New Falls, não Nova York. Não conseguiria um motorista nas próximas duas horas."
Estou demorando um pouco para me acostumar com essa parte.
Corro para alcançá-la e entrelaço meu braço no dela. "Então, como vamos voltar para casa?"
Ela ri. "Com sorte, um homem simpático vai nos dar uma carona." Eu olho para ela de soslaio. "Isso parece o começo de um documentário sobre assassinato, V." "Vou ligar para o meu tio", ela me diz.
Ray, o tio dela, tem ótimas conexões nesta cidade, pois é o dono da única empresa de catering daqui. É uma grande oportunidade para a V assumir o negócio. Enquanto eu estava no setor de moda, a paixão da Violet era comida e eventos. Ela simplesmente tem um talento incontrolável para isso.
O alívio faz meus ombros relaxarem. Crescer em Nova York me ensinou a ser cautelosa. Os homens com quem meus pais lidavam não eram exatamente santos. Havia boatos de que eles eram da máfia. Um cara, o Frankie, costumava vir à nossa casa o tempo todo. Aposto minhas economias que ele é.
Muitas pessoas se recusam a acreditar que a máfia ainda existe, como se fosse algum tipo de conspiração. Mas tenho quase certeza de que estive na mesma sala que essas
pessoas. E não tenho dúvidas de que também existem homens maus em cidades como esta. "Obrigada."
Enquanto ela destranca o carro, ouço passos pesados atrás de mim. Eu paraliso antes de abrir a porta do passageiro, com todos os pelos dos meus braços arrepiados.
Eu me viro.
Olhos verdes. Cabelo escuro. Terno cinza. E meu corpo reage da mesma forma de sempre perto dele... quer fugir. Reese. Meu senhorio irritante. "Boa noite, meninas."
Eu sorrio educadamente. "Oi."
"Oi", responde Violet com uma voz aguda, depois se senta no banco do motorista e fecha a porta.
Traidora.
Reese se aproxima e para bem na minha frente. A loção pós-barba dele atinge meu nariz primeiro. "Vai sair?" Faço que sim com a cabeça. "Tô."
Ele sorri, enfiando as mãos nos bolsos. "Que pena. Eu queria te levar para sair hoje à noite."
Meu coração acelera, e não de um jeito bom. "Talvez outra hora?" Eu sugiro, tentando manter o clima leve.
"Achei que você quisesse um segundo encontro, Lo. Mas toda vez que eu tento, você me evita."
Engulo em seco. Ele é legal. Bonito. Um advogado de sucesso. Meus pais aprovariam na hora. Só não percebi que o jantar depois de assinar o contrato de aluguel com ele contava como um primeiro encontro.
E eu não quero um segundo, mas também não quero irritá-lo, porque encontrar um lugar para alugar aqui é quase impossível no momento. "Você sempre me pega na hora errada", eu digo. "Talvez mandar uma mensagem primeiro ajudasse? Assim, a gente pode realmente combinar alguma coisa. Um café amanhã?"
Ele me observa por um momento, seu olhar percorrendo lentamente meu corpo. Eu estremeço em resposta.
Tomar um café amanhã significa que posso tentar conversar com ele de verdade e acabar com essa perseguição que ele acha que está fazendo comigo.
"Sim. Posso tomar um café. Na hora do almoço?"
"Seria ótimo." Mesmo que seja a última coisa que eu queira. Eu só gostaria de manter esse teto sobre nossas cabeças.
Ele sorri, exibindo dentes brancos e perfeitos. "Mas esse não é o encontro de verdade.
Eu ainda vou te levar para jantar."
Eu hesito, depois dou de ombros. Ser honesta parece mais seguro.
"Vamos ver como vai o café primeiro. E... Na verdade, não estou procurando nada sério. Nem sei por quanto tempo vou ficar na cidade."
Ele contrai a mandíbula. Ele se aproxima, e eu instintivamente recuo. Nunca disse que New Falls era permanente. Ainda tenho compromissos em Nova York, que um dia podem me levar de volta para lá. Mas estou mantendo minhas opções em aberto. Reese não precisa saber disso.
"Bom", ele diz baixinho, "talvez alguém só precise te dar um motivo para ficar. Eu gostaria que fosse eu."
Antes que eu possa reagir, ele pega minha mão e dá um beijo nos meus dedos. Meu Deus.
"Eu... eu preciso ir. Até amanhã", murmuro.
Ele ri e dá um passo para trás, finalmente me dando espaço. "Combinado", diz ele, piscando o olho antes de se virar e seguir assobiando em direção ao seu Mercedes.
Eu entro no carro e bato a porta.
"Bom, aquilo pareceu intenso", diz Violet, ligando o motor.
"Ele é. Muito persistente."
"Porque você é a mulher mais linda da cidade", diz ela enquanto saímos, passando por Reese encostado no carro dele, com um cigarro entre os dedos.
"Ele não é muito... caubói", murmuro.
Depois de ver aquele cara com tatuagens na cidade, acho que é isso que eu quero. Pela maneira como meu corpo reagiu a ele, mesmo do outro lado da janela, só posso imaginar o que eu faria se estivesse perto.
"Não. Ele se encaixaria perfeitamente em Nova York. Não é isso que você quer? Um pedacinho de lar? Não consigo te imaginar limpando cocô com uma pá em um rancho, Lola."
Eu dou risada. "Não. Mas eu não me importaria de ver um caubói gostoso, suado e coberto de tatuagens fazendo isso."
A imagem passa pela minha cabeça, e caramba. Terno nunca me fez muito efeito.
Violet sorri. "E depois? Ele te joga por cima do ombro, te carrega e te come de todas as maneiras possíveis?"
O calor sobe pelas minhas bochechas enquanto aceno com a cabeça. "Isso. Enquanto eu estou usando o chapéu dele. Ou, melhor ainda, me amarra com uma corda."
Violet quase engasga. "Meu Deus, Lola. Você realmente pensou nisso." Dou de ombros. "Tenho tido muito tempo para mim ultimamente."
"Dá para ver. Vem, então. Vamos encontrar um caubói para você."