Jade Fernanda:
--- Então papai, o Senhor vai mesmo ter a coragem de estragar a minha reputação na igreja, me dando disciplina? - Pergunto logo cedo no café da manhã.
--- Você procurou, e achou! - Respondeu rispidamente.
--- Que seja! Certa ou errada, as pessoas sempre julgarão "A filha do pastor". - Dou de ombros.
--- Você me envergonha Jade! Hoje vou ter que ir na sua escola, com o peito cheio da mais amarga, vergonha! Que tipo de pastor sou eu, que não consigo nem controlar a minha própria filha? Certamente, o diretor da escola deve pensar isso! E eu fico como? Frustrado! Arrasado! - Meu pai bateu na mesa me dando um susto.
--- O que importa a opinião dos outros, papai? - Bufo.
--- E a opinião de Deus? Também não importa?Se você se importasse ao menos um pouquinho em agradar á Deus, teria feito tudo diferente,e não teria rolado no chão com a filha de um dos obreiros da igreja. Você me decepciona! Eu me enganei totalmente á seu respeito. - Papai estava visivelmente decepcionado comigo.
--- Me perdoa papai por favor? Eu não fiz por m*l! Não tira meu cargo de regente,me devolve os meus instrumentos, eu lhe imploro! - Um choro desesperado invadiu o meu ser.
--- A minha decisão já está tomada. - Ele retirou-se da mesa, e levou o Pedro Arthur (que ouvia toda a conversa em silêncio) para a escola.
--- Mamãe? - Bati na porta do quarto dela.
--- Oi. - Respondeu seca.
--- Mãe, me deixa dormir mais um pouco? - Pedi.
--- Já está decidido! Já que você está suspensa da escola, irá cuidar da casa, e preparar o almoço enquanto eu e seu pai trabalhamos, e seu irmão está na escola. - Foi firme.
--- Tudo bem. - Falei quase inaudível.
Quando os meus pais querem me castigar, eles capricham! E o pior de tudo, é que minha avó já pôs outra pessoa para trabalhar na loja dela, e eu perdi a minha vaga.
Eu sei que errei, mas não precisava exagerar, não é mesmo? Sem contar, que o meu pai fixou a idéia de me trocar de turno na escola! Como vou viver sem ver o Léo todos os dias?
Apesar de ter sido castigada de forma severa, eu não me arrependi de ter batido na Lina! Não mesmo.
Quando já não havia mais ninguém em casa, eu aproveitei o telefone de casa, e liguei para as minhas avós. Quem sabe, uma delas me tira desse novo regime de e********o?!
A minha avó Sarah, me deu uma bela bronca, e ainda contou para o vô Hamsés (d***a).
Já a minha vovó Nataly ficou morrendo de dó de mim, e me prometeu convencer o meu pai á me deixar ir pra casa dela tocar piano,e comer bolinhos de chuva com café, que só ela sabe fazer divinamente bem.
Falando em cozinhar.. Fiz o almoço chorando, e ainda fiz a maior sujeira na cozinha! Demorei horas para conseguir limpar tudo aquilo,mas quando meus pais chegaram, o almoço estava pronto.
Passei a tarde trancada em meu quarto lendo a bíblia, revendo os meus conceitos (se é que ainda me restou algum), e á noite,me arrumei para ir para o culto.
Entrei no carro gelada de tão nervosa,e apreensiva, pois com certeza toda a igreja já estava sabendo do que havia acontecido.
--- Eu estou com medo! - Apertei a mão do Pê.
--- Eu sei. - Cochichou. -- Eu vou te proteger,fica calma! - Beijou a minha testa.
Quando chegamos na igreja, outra menina regeu o conjunto de crianças em meu lugar,e meu pai não disciplinou só á mim, mais á Lina também, que estava com a maior cara de paisagem.