O jantar avançava lentamente.
Não porque a comida faltasse — pelo contrário.
A mesa estava cheia de pratos pesados e exóticos, como era costume na corte vampírica. Travessas de prata refletiam a luz quente das velas enquanto os servos entravam e saíam silenciosamente.
Depois da carne de urso, trouxeram costelas de javali assadas, cobertas por uma camada grossa de molho escuro feito com vinho envelhecido e especiarias raras.
O aroma era forte e delicioso.
Ao lado das costelas havia pequenas batatas assadas com casca crocante, mergulhadas em manteiga derretida e ervas.
Outro prato continha fígado de cervo salteado, servido com cebolas caramelizadas.
Para os vampiros da corte, pratos assim eram comuns.
A carne trazia sabor, textura e tradição.
Mas o verdadeiro alimento estava nas taças.
Os servos voltavam frequentemente com jarros de cristal contendo sangue fresco, servido frio, quase como vinho caro.
Luian girava lentamente o líquido vermelho na taça.
Ele não estava com pressa.
Mas também não queria permanecer ali a noite inteira.
Seus amigos provavelmente já estavam esperando no pátio.
Darius certamente estaria impaciente.
Kael provavelmente estaria criticando a demora.
E Marek… bem, Marek sempre parecia paciente demais.
— Você está quieto hoje — comentou Helena.
Luian levantou os olhos da taça.
— Apenas apreciando o jantar.
Gabriel observou o filho por alguns segundos.
O rei tinha aquele olhar que parecia sempre perceber mais do que os outros.
— Está mesmo?
Luian deu um pequeno sorriso.
— A carne está excelente.
Cèlèna apoiou o queixo nas mãos.
— Ele está evitando o assunto.
Luian olhou para ela.
— Que assunto?
— Lisbeth.
Helena lançou um olhar leve de advertência para a filha.
— Cèlèna!
Mas a jovem princesa apenas deu de ombros.
— O que foi? Eu só estou curiosa.
Luian tomou um gole do sangue na taça.
— Não há muito o que contar.
— Ela estava chorando.
— Ela sempre foi dramática.
Cèlèna inclinou a cabeça.
— Você terminou com ela?
Luian ergueu uma sobrancelha.
— Quem disse isso?
— Eu estou perguntando.
— Então a resposta é não.
Aquilo não era exatamente uma mentira.
Mas também não era a verdade completa.
Helena pareceu satisfeita em deixar o assunto morrer ali.
Ela cortou um pequeno pedaço da carne de cervo e falou com calma:
— Lisbeth sempre foi uma jovem intensa.
Gabriel concordou.
— A família dela é antiga. Orgulhosa.
Luian assentiu.
— Sim.
Cèlèna ainda parecia desconfiada.
Mas decidiu mudar de assunto.
— Amanhã haverá música no salão leste — disse ela. — Um grupo de músicos mortais foi convidado.
Luian arqueou uma sobrancelha.
— Mortais?
— Sim.
Ela sorriu.
— Eles tocam violino maravilhosamente.
Gabriel comentou com voz calma:
— Cultura mortal pode ser… interessante.
Luian bebeu mais um pouco da taça.
O jantar já se aproximava do fim.
Os pratos principais haviam sido retirados.
Agora os servos traziam sobremesas.
Embora vampiros não precisassem realmente delas, a tradição ainda era mantida.
Trouxeram tortas de frutas negras da montanha, cobertas por uma camada fina de açúcar queimado.
Também havia queijos envelhecidos, pão doce e pequenas taças de creme feito com mel silvestre.
Cèlèna pegou uma das tortas imediatamente.
— Eu adoro isso.
Luian observou a irmã com um pequeno sorriso.
Ela era provavelmente a única pessoa no castelo que conseguia tornar aquele ambiente formal… leve.
Helena limpou os lábios com o guardanapo de linho.
— Luian.
Ele levantou os olhos.
— Sim?
— Você tem estado fora com frequência.
Luian manteve a expressão tranquila.
— Eu gosto de viajar.
Gabriel falou então:
— O mundo mortal novamente?
— Às vezes.
— E com seus amigos.
— Sim.
Gabriel assentiu lentamente.
— Darius, Kael e Marek.
Luian ficou um pouco surpreso.
— Você sabe.
Gabriel sorriu levemente.
— Eu sempre sei.
Cèlèna riu.
— Pai sabe tudo.
Helena observava o filho em silêncio.
— Apenas tenha cuidado — disse ela.
Luian inclinou a cabeça.
— Sempre tenho.
Mas naquele momento ele sabia que precisava sair dali.
Se a conversa continuasse, eventualmente o assunto voltaria para Lisbeth.
E isso poderia se tornar… inconveniente.
Ele colocou o guardanapo sobre a mesa.
— Se me permitem…
Gabriel levantou os olhos.
— Já terminou?
— Sim.
Helena observou o filho.
— Está cansado?
Luian assentiu.
— Um pouco.
Cèlèna fez uma careta divertida.
— Você? Cansado?
— Acontece.
Ele se levantou da cadeira.
Sua postura continuava elegante e tranquila.
— Com licença, Altezas.
Ele fez uma pequena reverência respeitosa.
Primeiro para o pai.
Depois para a mãe.
Cèlèna sorriu.
— Boa noite, irmão.
Gabriel assentiu.
— Descanse.
Helena acrescentou suavemente:
— Tenha uma boa noite.
Luian virou-se e começou a caminhar para fora do salão.
Assim que passou pelas portas enormes de madeira…
Soltou um suspiro.
— Finalmente.
Os corredores estavam mais silenciosos agora.
Ele tirou o celular do bolso enquanto caminhava.
O grupo de mensagens estava ativo.
Darius:
“Estamos esperando.”
Kael:
“Já escolhemos o lugar.”
Marek:
“Você está devendo uma rodada.”
Luian sorriu.
Digitou rapidamente.
Luian:
“Estou indo.”
Guardou o celular.
Seus passos ecoavam suavemente pelo corredor de pedra.
Servos ainda caminhavam de um lado para outro, preparando o castelo para a noite.
Alguns se curvavam ao vê-lo passar.
Mas Luian m*l notava.
Ele atravessou dois corredores, desceu uma escadaria larga e finalmente chegou ao pátio do castelo.
A noite estava fresca.
A lua iluminava as pedras antigas do chão.
E perto do portão principal estavam os três homens que ele procurava.
Darius estava encostado em uma das colunas de pedra.
Kael observava o céu.
Marek estava sentado no capô de um carro n***o moderno que parecia quase deslocado naquele ambiente medieval.
Quando viram Luian se aproximar…
Darius abriu um sorriso largo.
— Olhem só.
Kael cruzou os braços.
— O príncipe sobreviveu ao jantar.
Marek inclinou a cabeça.
— Demorou.
Luian caminhou até eles.
— Meus pais estavam particularmente conversadores hoje.
Darius abriu a porta do carro.
— Espero que não tenham falado sobre casamento.
Luian entrou no banco de trás.
— Nem mencione isso.
Kael entrou no banco do motorista.
Marek sentou ao lado dele.
Darius ocupou o banco da frente.
O motor do carro ronronou suavemente.
O grande portão do castelo começou a se abrir.
Luian recostou-se no banco.
Seus olhos prateados observavam a estrada escura além das muralhas.
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
A noite finalmente estava começando.
E para Luian…
A liberdade sempre começava quando ele deixava o castelo para trás, onde não era príncipe, onde não tinha nenhuma responsabilidade que o aborreciam, era simplesmente o Luian.