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1093 Words
O jantar avançava lentamente. Não porque a comida faltasse — pelo contrário. A mesa estava cheia de pratos pesados e exóticos, como era costume na corte vampírica. Travessas de prata refletiam a luz quente das velas enquanto os servos entravam e saíam silenciosamente. Depois da carne de urso, trouxeram costelas de javali assadas, cobertas por uma camada grossa de molho escuro feito com vinho envelhecido e especiarias raras. O aroma era forte e delicioso. Ao lado das costelas havia pequenas batatas assadas com casca crocante, mergulhadas em manteiga derretida e ervas. Outro prato continha fígado de cervo salteado, servido com cebolas caramelizadas. Para os vampiros da corte, pratos assim eram comuns. A carne trazia sabor, textura e tradição. Mas o verdadeiro alimento estava nas taças. Os servos voltavam frequentemente com jarros de cristal contendo sangue fresco, servido frio, quase como vinho caro. Luian girava lentamente o líquido vermelho na taça. Ele não estava com pressa. Mas também não queria permanecer ali a noite inteira. Seus amigos provavelmente já estavam esperando no pátio. Darius certamente estaria impaciente. Kael provavelmente estaria criticando a demora. E Marek… bem, Marek sempre parecia paciente demais. — Você está quieto hoje — comentou Helena. Luian levantou os olhos da taça. — Apenas apreciando o jantar. Gabriel observou o filho por alguns segundos. O rei tinha aquele olhar que parecia sempre perceber mais do que os outros. — Está mesmo? Luian deu um pequeno sorriso. — A carne está excelente. Cèlèna apoiou o queixo nas mãos. — Ele está evitando o assunto. Luian olhou para ela. — Que assunto? — Lisbeth. Helena lançou um olhar leve de advertência para a filha. — Cèlèna! Mas a jovem princesa apenas deu de ombros. — O que foi? Eu só estou curiosa. Luian tomou um gole do sangue na taça. — Não há muito o que contar. — Ela estava chorando. — Ela sempre foi dramática. Cèlèna inclinou a cabeça. — Você terminou com ela? Luian ergueu uma sobrancelha. — Quem disse isso? — Eu estou perguntando. — Então a resposta é não. Aquilo não era exatamente uma mentira. Mas também não era a verdade completa. Helena pareceu satisfeita em deixar o assunto morrer ali. Ela cortou um pequeno pedaço da carne de cervo e falou com calma: — Lisbeth sempre foi uma jovem intensa. Gabriel concordou. — A família dela é antiga. Orgulhosa. Luian assentiu. — Sim. Cèlèna ainda parecia desconfiada. Mas decidiu mudar de assunto. — Amanhã haverá música no salão leste — disse ela. — Um grupo de músicos mortais foi convidado. Luian arqueou uma sobrancelha. — Mortais? — Sim. Ela sorriu. — Eles tocam violino maravilhosamente. Gabriel comentou com voz calma: — Cultura mortal pode ser… interessante. Luian bebeu mais um pouco da taça. O jantar já se aproximava do fim. Os pratos principais haviam sido retirados. Agora os servos traziam sobremesas. Embora vampiros não precisassem realmente delas, a tradição ainda era mantida. Trouxeram tortas de frutas negras da montanha, cobertas por uma camada fina de açúcar queimado. Também havia queijos envelhecidos, pão doce e pequenas taças de creme feito com mel silvestre. Cèlèna pegou uma das tortas imediatamente. — Eu adoro isso. Luian observou a irmã com um pequeno sorriso. Ela era provavelmente a única pessoa no castelo que conseguia tornar aquele ambiente formal… leve. Helena limpou os lábios com o guardanapo de linho. — Luian. Ele levantou os olhos. — Sim? — Você tem estado fora com frequência. Luian manteve a expressão tranquila. — Eu gosto de viajar. Gabriel falou então: — O mundo mortal novamente? — Às vezes. — E com seus amigos. — Sim. Gabriel assentiu lentamente. — Darius, Kael e Marek. Luian ficou um pouco surpreso. — Você sabe. Gabriel sorriu levemente. — Eu sempre sei. Cèlèna riu. — Pai sabe tudo. Helena observava o filho em silêncio. — Apenas tenha cuidado — disse ela. Luian inclinou a cabeça. — Sempre tenho. Mas naquele momento ele sabia que precisava sair dali. Se a conversa continuasse, eventualmente o assunto voltaria para Lisbeth. E isso poderia se tornar… inconveniente. Ele colocou o guardanapo sobre a mesa. — Se me permitem… Gabriel levantou os olhos. — Já terminou? — Sim. Helena observou o filho. — Está cansado? Luian assentiu. — Um pouco. Cèlèna fez uma careta divertida. — Você? Cansado? — Acontece. Ele se levantou da cadeira. Sua postura continuava elegante e tranquila. — Com licença, Altezas. Ele fez uma pequena reverência respeitosa. Primeiro para o pai. Depois para a mãe. Cèlèna sorriu. — Boa noite, irmão. Gabriel assentiu. — Descanse. Helena acrescentou suavemente: — Tenha uma boa noite. Luian virou-se e começou a caminhar para fora do salão. Assim que passou pelas portas enormes de madeira… Soltou um suspiro. — Finalmente. Os corredores estavam mais silenciosos agora. Ele tirou o celular do bolso enquanto caminhava. O grupo de mensagens estava ativo. Darius: “Estamos esperando.” Kael: “Já escolhemos o lugar.” Marek: “Você está devendo uma rodada.” Luian sorriu. Digitou rapidamente. Luian: “Estou indo.” Guardou o celular. Seus passos ecoavam suavemente pelo corredor de pedra. Servos ainda caminhavam de um lado para outro, preparando o castelo para a noite. Alguns se curvavam ao vê-lo passar. Mas Luian m*l notava. Ele atravessou dois corredores, desceu uma escadaria larga e finalmente chegou ao pátio do castelo. A noite estava fresca. A lua iluminava as pedras antigas do chão. E perto do portão principal estavam os três homens que ele procurava. Darius estava encostado em uma das colunas de pedra. Kael observava o céu. Marek estava sentado no capô de um carro n***o moderno que parecia quase deslocado naquele ambiente medieval. Quando viram Luian se aproximar… Darius abriu um sorriso largo. — Olhem só. Kael cruzou os braços. — O príncipe sobreviveu ao jantar. Marek inclinou a cabeça. — Demorou. Luian caminhou até eles. — Meus pais estavam particularmente conversadores hoje. Darius abriu a porta do carro. — Espero que não tenham falado sobre casamento. Luian entrou no banco de trás. — Nem mencione isso. Kael entrou no banco do motorista. Marek sentou ao lado dele. Darius ocupou o banco da frente. O motor do carro ronronou suavemente. O grande portão do castelo começou a se abrir. Luian recostou-se no banco. Seus olhos prateados observavam a estrada escura além das muralhas. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. A noite finalmente estava começando. E para Luian… A liberdade sempre começava quando ele deixava o castelo para trás, onde não era príncipe, onde não tinha nenhuma responsabilidade que o aborreciam, era simplesmente o Luian.
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