Lorena narrando. Chegar ao apartamento de Eduardo naquela noite teve um gosto diferente. Não era pressa, não era expectativa nervosa. Era uma antecipação calma, quase confortável, como se o corpo já soubesse que ali não precisava se defender de nada. Ele abriu a porta antes mesmo de eu tocar a campainha, como se estivesse me esperando atrás dela. — Sinta-se em casa, querida — disse, com a voz baixa, firme, aquele tom que nunca parecia casual. Assim que atravessei a soleira, fui envolvida pelo cheiro dele misturado ao ambiente. Era algo limpo, discreto, quente, impossível de definir com precisão, mas fácil de reconhecer. Aquele cheiro que não é só perfume, é presença. Fechei a porta com cuidado, como se o simples gesto já marcasse uma transição entre o mundo de fora e o que existia ali

