Dia seguinte. Lorena narrando. O dia passa devagar, arrastado, silencioso demais. Sem Eduardo ao meu lado, sem a rotina de ser sua secretária, sem o peso constante da presença dele ocupando cada hora do meu dia. Agora, nem sei mais o que sou para ele. Ficante? Amante? Uma mulher que ele está conhecendo? Talvez nem isso. Não sei qual é o rótulo, mas curiosamente não é isso que mais me incomoda. O que me incomoda de verdade é a ausência. Pode parecer loucura, mas meu chefe sempre preencheu meus dias de um jeito quase absoluto. Agendas, reuniões, ligações, decisões, viagens. Eduardo sempre esteve ali, exigindo atenção, tempo e energia. E agora, nessa folga que ele mesmo me deu, tudo parece lento demais. O relógio parece zombar de mim. Acordo cedo demais para quem não precisa trabalhar.

