Proposta de casamento
Gregório Schneider
Encarar Andreas no seu território era algo no mínimo louco da minha parte, mas eu não fugia de um desafio.
Se eu realmente queria seguir em frente e conseguiu que desejava, eu precisava dar esse passo urgentemente.
- O que veio fazer aqui de verdade, Gregório? – Andreas me pergunta após a minha chegada à Itália.
Eu não podia jogar limpo com ele agora, se eu falasse que vim até aqui pela sua filha Lívia, talvez eu não voltasse para casa.
Andreas Miller era extremamente ciumento ao falar das suas duas filhas, por mais que ele fosse o papai babão para Luiza Miller, Lívia era demais se parecia com ele, até na sua independência e força de vontade.
As duas eram suas filhas, e agora estavam tentando tirar elas dele, queriam levar as meninas que ele criou com tanto amor e carinho.
Andreas Miller estava na defensiva, ele não abaixaria a guarda para mim tão fácil, ele queria proteger as suas meninas. Então eu tinha que ir pelo caminho mas longo e até mentiroso.
Eu poderia virar para ele dizer uma verdade que esconda muito tempo, mas isso acabaria com Andreas.
Ele me mataria, mesmo eu arriscando morrer, não queria destruí ele.
Acabaria com qualquer possibilidade de eu ter Lívia para mim. Porque se eu jogasse tão baixo, ela nunca iria me perdoar.
Assim, fazer de um caminho que já é difícil, se torna quase impossível de se atravessar.
E infelizmente, a máfia alemã precisava de mim mais do que nunca. E no fundo, ele também precisava ouvir e aceitar a proposta que eu tenho.
As coisas melhoram, mas ainda estávamos engatinhando comparado ao que a nossa máfia um dia foi. Eu tinha muito trabalho pela frente, muitas alianças para fazer e tinha que ter uma esposa para estar ao meu lado nessa nova era.
- Andreas, você sabe exatamente o que eu vim fazer aqui, sabe que era algo pessoal caçar e matar Gael. – Paro de falar porque é inevitável não ficar com raiva ao me lembrar de tudo que aquele maldito fez contra a minha família.
- Gael tem mais inimigos que aliados no momento, e agora ele é passado. – Andreas fala com uma falsa calma.
O futuro cunhado dele tinham organizado uma operação ousada e grande, mas não tão necessária, afinal tinham finalmente capturado Gael como o rato que ele era. Ele era muito gogó, Gael tinha muita lábia, mas pouco raciocínio lógico.
Ele era um azarado que teve a única sorte de estar no lugar certo e pegar o meu pai desprevenido.
Gael tinha tirado a vida do meu pai com um único tiro, depois de uma caçada, ele ainda conseguiu tirar o que eu tinha de mais importante.
- Eu sei e estou satisfeito com o que estão fazendo com ele... – Digo me lembrando que Gael não é a sombra do que ele foi um dia. – Agora estou aqui diante de você para fazer negócios. – Andreas que estava sentando na sua cadeira de couro, seu charuto na mão e um olhar sombrio direcionando a mim suspira.
Ele sabe que não pode apenas fingir e negar um fato, temos que nos organizar e prever tudo que o futuro nos espera.
- Estou te ouvindo, mesmo que faça ideia das suas intenções... – Diz olhando para o nada após virar na sua cadeira.
- Então... – Me vejo nervoso como a muito tempo não ficava. – Sabe que somos a segunda família na hierarquia da máfia alemã... – Andreas faz som de tédio. – Andreas, você que deveria estar no meu lugar... – Ele me olha.
- Sabe que prefiro a morte, do que dar o gostinho aquele infeliz, não sabe? – Concordo com um acenar de cabeça. – Meu pai acabou com tudo que era de bom na minha vida por causa desse maldito lugar na máfia alemã. – Diz com uma dureza que era sentida.
- Ele morreu, Andreas, ele não tem poder sobre você... – Digo mais me arrependo.
- Acha que por ele ter morrido, eu deva esquecer tudo que ele fez contra a minha mãe, o que ele fez com a minha irmã e fingir que tudo pode voltar ao lugar? – n**o. – Gregório, a máfia alemã é importante para você, era para o seu pai, para o seu avô, que foram criados nas diretrizes dela. Forjados pelo fogo de ter algo grande para seguir em frente. Eu vejo o seu esforço para cuidar, proteger e reerguer a máfia. Você é aquilo...- Ele diz sendo sincero. – Eu não me importo com o legado do meu pai, se eu assumisse, destruiria tudo, por capricho, me entende agora? – Olho para ele cético, mas o brilho dos olhos dele não n**a.
Ele seria capaz de deixar a máfia pior do que estava se tivesse assumido, mesmo que seu pai não esteja mais vivo. Andreas não tem amor, lealdade ou o menor interesse pelo legado do seu pai, com isso, ele não está preocupado com o que acontece ou irá acontecer.
- Você não liga para o que vai acontecer com a máfia alemã?
- Não queria assumir o que me destruiu, foi exatamente isso que eu falei para os seus anciões. Não queria fazer parte de algo que era mais importante do que tudo para o meu genitor. Ninguém iria me convencer do contrário. E o seu conselho acatou, porque anos atrás eu já era temido, poderoso e pior do que eu sou agora. – Ele diz e eu acredito. – Não preciso parar de rir para matar, essa é a diferença entre cuidar de uma máfia e ter como destino tirar vidas. Eu sou assassino, julgo, mato e destruo o que eu acho que não devia viver. A máfia tem toda uma gama de responsabilidades que eu não quero, eu não cresci no meio de vocês, não seria até aceito por isso. Por hierarquia, não pode se obrigar totalmente ao outros ser leais a você. A maioria da máfia não era leal ao meu pai, tanto que ele morreu da forma que morreu, e sem ajuda de nenhum dos seus...
Me encosto tentando absorver finalmente o lado do Andreas por não ter aceitado o cargo de Dom da máfia alemã.
Eu nunca soube de fato, o que o motivava a ficar longe, mas agora eu entendo todos os seus motivos.
Quando me pai assumiu, eu era um pré-adolescente, estava começando a vida na máfia, eu tive que treinar para ser bom, não queria viver na aba do meu pai que era um dos melhores.
Eu treinei muito para ser o primeiro na linha de frente da máfia, como o meu pai um dia foi.
Eu tinha o que Andreas nunca teve, um exemplo a seguir. Um legado de honra a cumprir.
Se ele aceitar o cargo, ele se anula e destrói por completo tudo a sua volta. Ele nunca faria algo grande sobre o nome do seu genitor.
Fora que por ser filho de quem ele era, nunca teria o respeito total de todos, ou a sua caminhada seria longa demais.
No caso, ele não queria nada daquilo, ele era um assassino, não um soldado ou comandante de uma máfia.
- Entendo... – Olho para ele. – Agora eu preciso que você me entenda... – Digo com a mesma postura calma que entrei nesse lugar. – Minha família, era segunda no comando, até então, tudo bem. A questão é que você está vivo, muitos acreditam que você possa querer reivindicar o trono em algum momento. Sabe que mafioso é desconfiado por natureza...
- Não vou pedir o meu lugar, Gregório... Quer um documento? – diz com ironia. – O que eu tenho nessa vida é palavra, e se digo que não vou arrumar uma guerra para tirar a droga do trono de você, é por que eu não vou... – Diz irritado. – Eu vou ser avô, Gregório... – Ri com humor pela primeira vez. - Eu estou me aposentando e te garanto, que Lucca quer tudo, menos entrar em guerra com a sua máfia. – Eu sabia disso.
- Quero lhe propor algo para que nossa aliança seja forjada, inquebrável e nada possa refutar. – Ele me olha. – Quero me casar com a sua filha... Lívia. – Mudo o meu tom. – Sabe que se eu me casar com alguém da sua família, todos vão se acalmar, você poderá se aposentar sem ter medo de uma guerra entre máfias.
- Está me ameaçando? – Ele me pergunta.
- Estou lhe dizendo os fatos, Andreas. – Digo direto. – Se eu morrer amanhã, meu sucessor vai querer te matar para não ter problemas no futuro. Eu não tenho família, herdeiros, ou um casamento que garanta a tranquilidade. O conselho vai querer ir para o caminho mais óbvio, dar a máfia para o próximo na fila e matar o primeiro que não quis o seu lugar. É uma conta básica, se não nos unirmos, nem eu vou te proteger de uma máfia que está crescendo com os meus esforços, mas que sei que se eu vier a falecer. Vou ser um corpo sem vida e eles vão se blindar de todas as formas. Vão fazer exatamente o que eu fiz com Gael Nietzsche, caçar, qualquer tipo de pessoa que possa te tirar o poder.
Ele sabia que eu estava certo, que agora era questão de deixar tudo alinhado.
Ela seria minha...
- Porque Lívia? – Sinto que ele sabe, mas quer ouvir da minha boca.
Porque eu a amo... – penso
- Luiza já é noiva e Lucca...bom, não faz o meu tipo... – Digo brincando, mas o homem não ri. - Lívia vai ficar segura ao meu lado, sabe que eu protegeria ela com a minha vida.
Andreas se levanta, anda pelo escritório e decreta.
- Se Lívia aceitar, se ELA ACEITAR.... - Ele engole seco um monte de palavras ofensivas. - Aí teremos um casamento... - Ele olha para mim. - Mas eu quero que você seja ciente de uma coisa, eu sou menor dos seus problemas... - Andreas Miller sorri como nunca tinha visto. - Lívia é quem vai te colocar no eixo... - Diz abrindo a porta e saindo sem a menor cerimônia.
- Lívia tem que aceitar... - Eu tinha que me certificar disso.
Obrigada pelos comentários e bilhetes lunares 🥰