Passado

1388 Words
Voltando ao passado ​ Lívia Miller "Os motores rangiam na pista, era a penúltima corrida antes da corrida final, e todos que iriam correr só pensavam no prêmio, em como ganhar um milhão de dólares. A quantia não era nem um terço do que o organizador das corridas ilegais de Berlim ganhava em uma noite, mas todos os homens que estavam naquele estacionamento para correr, e até arriscarem suas vidas, queriam essa quantia como uma tábua de salvação. ​Eu era a única mulher no último evento, na corrida final, aliás, eu era a única mulher que estava correndo em uma corrida ilegal em toda a noite de evento. ​Estava com a adrenalina nas alturas, tinha acabado de matar um homem no banheiro de um restaurante velho e mofado. ​Precisava de um álibi. Passar a noite na cadeia após ter matado um alvo para o meu pai parecia divertido. ​Claro que Lucca infartaria. Eu não era como os subordinados do meu pai; eu tinha minha própria maneira de matar e de sumir no mundo procurando por corridas. ​Então, completei a minha missão e vim para essa corrida ilegal. Se alguém me reconhecer por ter matado um pedófilo no banheiro sujo de um restaurante mais velho do que as múmias, terei a desculpa de estar em uma corrida ilegal apostando um milhão de reais dos meus pais. ​- Está lá, é só olhar na minha conta. Eu paguei a minha entrada para correr e agora quero ganhar meu dinheiro de volta. ​Até parece que eu estava em uma corrida dessas pelo dinheiro. Estava aqui por causa da adrenalina, da emoção e da sensação de nunca ser pega. ​Meu pai matava para ter essa mesma sensação, meu irmão idem. Eu somente estou honrando os costumes estranhos da família. ​- Uma menininha correndo com os grandes...— Um i****a fala olhando para mim. — Vai perder e vai correr para a barra do vestido da mamãe...— Todos em volta riem do meu comentário para o calmo meu concorrente. ​Geralmente, não são tão educados assim. Homens não gostam de perder, que dirá para uma "menininha" que ninguém sabia o que fazia a uma da manhã na rua. ​Infelizmente, sou uma jovem senhora no corpo de uma mulher que tem cara de adolescente. Minha aparência é de uma menina que acabou de sair das fraldas, e isso não era bom para colocar medo nos meus concorrentes. Por isso, me mantinha calada, não podia matar todos os homens que falavam o que não deviam. ​- Essa v*dia não deveria nem estar aqui... — Ouço um homem alto, sem qualquer medo da morte, que se achava o rei da cocada preta. — Ela está caçando confusão. ​Todos estavam aqui para reafirmar suas masculinidades e seus poderes. A maioria dos pilotos era de pessoas perigosas que queriam dinheiro rápido. ​No meu caso, para eles, eu era uma ameaça, não por ser boa, mas por ser a mais fraca e mais uma para competir pelo prêmio. ​Estava encostada no meu carro, um carro que era todo transformado para corridas. Eu o tinha modificado para ser uma potência nas pistas, mas seu exterior não mostrava do que ele era capaz. ​ - Estão com medo e nem entramos na pista? — Digo rindo. ​O homem que queria confusão tenta chegar perto de mim, mas o cara que gerenciava as corridas entra na sua frente e o adverte. ​- Não podem brigar... — Ele olha para mim e para o i****a que acha que vai respirar até o dia amanhecer. — Vai para trás, Petrus, ou eu não deixo participar da corrida final. ​- Você é corajosa..." — Ouço alguém atrás do meu carro. Era um homem alto, loiro e bonito. Não que isso me disse o caráter, os valores e postura, mas visualmente ele era de parar o fôlego. ​- Eu não sou corajosa. A verdade é que tem muito i****a que acha que bota medo por xingar e gritar mais alto. ​Disse em alto e bom som. Todos da corrida me olharam e o tal Petrus me encarava com raiva. ​- Vai com calma, gatinha, aquele armário não é de brincadeira. — O homem que não conheço para ao meu lado. ​Ele usava uma calça jeans, jaqueta de couro e os cabelos perfeitamente arrumados para trás. Não sei por que, mas tenho certeza de que esse não é o mundo dele. Aquela roupa, comportamento e até a conversa fiada eram para algo maior. ​- Falou alguém que tem três metros de altura e está no lugar errado...— Os olhos azuis do homem me fitam com intensidade. ​Não sei por que, mas não consigo desviar do seu olhar... ​-Vamos correr... — Saio do transe e entro no meu carro, vendo o homem ainda me observando, mas a sua máscara não era mais a mesma. ​Aquele homem não era um civil em uma corrida de rua, não era um bandido querendo dinheiro fácil e não era um dos donos do lugar... ​Quem era aquele homem? ​Quando Gregório entrou na minha vida, eu tinha que ter me atentado aos sinais. ​Ele já era falso no momento em que bati o olho nele. Sabia que tinha algo de errado nas suas palavras, nos trejeitos e em como ele achava que ninguém o enxergava. ​Posso não ser ativa na organização do meu pai, mas eu fazia os trabalhos que ninguém nem sonhava que aconteciam. Matava pessoas ruins para melhorar a vida de gente que nem tinha dinheiro para pagar por aquela limpeza. ​Sim, para mim, era limpar o mundo de gente nojenta que achava que, por ser forte, tinha o direito de subjugar os mais fracos. ​Eu estava em Berlim para acabar com a vida de um padrasto pedófilo que fugiu da Itália e veio se esconder lá. ​Conheci Gregório sem saber quem ele era exatamente. Me entreguei a ele depois de um ato sem pensar, no calor da emoção. ​Não me perguntem por que fiz aquilo. Acho que foi porque ele me salvou, sei lá! Quando a poeira baixou e eu estava segura em seus braços, uma química que eu nunca tinha sentido na vida se apoderou de mim. ​Conversamos por horas, rimos, brincamos e, quando dei por mim, estava apaixonada. ​Era aquela merda de "amor à primeira vista". ​Me entreguei e achei que daríamos certo. Ele me prometeu que mundos e fundos, pediu para confiar. Não sei por que, mas confiei e me arrependi na manhã seguinte. ​Não por ter transado; poderia ter perdido a virgindade com um i****a qualquer que nem teria me dado um orgasmo se quer, era como roleta russa, porque eu já tinha colocado na minha cabeça que não iria me casar virgem. ​Gregório sabia bem o que estava fazendo e me deu vários orgasmos em uma noite, nisso eu nunca posso reclamar dele. ​A questão é que ele mentiu para mim: ele era noivo e a mulher dele estava no quarto ao lado, dormindo sozinha... ​Como eu poderia me sentir tão enganada? ​Corri daquele quarto quando ela entrou na antessala e me perguntou o que eu fazia com o seu noivo. ​Acho que meu cabelo bagunçado e minha roupa amassada ainda não eram autoexplicativos. ​"O que faz com o meu noivo? Você transou com o Dom da máfia alemã, Gregório Schindler." ​Uma bomba pareceu cair bem diante de mim, e tudo se desmoronou em questão de segundos. ​Como eu tinha me entregado ao Dom da máfia alemã? ​Saí correndo sem olhar para trás. Se meu pai soubesse, ele iria me matar! ​Corri como se a minha vida dependesse disso, e de alguma forma ela dependia. Aquela era a corrida da minha vida, e pela primeira vez estava correndo na direção errada do alvo final." Corri sem olhar para trás, mas de alguma forma, Gregório me achou e quer reivindicar o seu prêmio. Ele era o ganhador no final, pois eu não tinha argumento, poder de fogo e nada que pudesse me ajudar a me livrar desse inferno de casamento. Obrigada pelos comentários e bilhetes lunares 🥰
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