03 - Cavaleiro

1104 Words
Cavaleiro Narrando Meu nome é Cauã Rangel. Tenho Trinta anos, e Sou deputado estadual pelo Rio de Janeiro, empresário consolidado, respeitado no meio político e social. Quando piso no plenário, todos me cumprimentam, alguns com admiração, outros com medo de contrariar alguém que detém tanto poder. Não é só o dinheiro que abre portas é saber usá-lo com inteligência. Sou formado em psiquiatria, e não foi por acaso. Entender a mente humana é a minha arma mais letal. Sei ler um olhar, um gesto, um tom de voz. Sei quando alguém está mentindo, hesitando ou escondendo algo. Posso transformar a segurança de uma pessoa em dúvida, a alegria em culpa, a coragem em medo. Essa é a diferença entre eu e eles: enquanto a maioria reage por impulso, eu calculo. Cada palavra, cada silêncio, cada movimento. Eu domino a minha mente. Nunca me deixo ser refém dela. E, se a minha própria cabeça é minha prisioneira, imagina a dos outros. Na superfície, sou Cauã: calmo, centrado, exemplo de sucesso. Mas, no submundo, não existe Cauã Rangel. Existe apenas o Cavaleiro da Morte. Fui eu quem fundou o Comando das Sombras, uma organização que hoje é respeitada e temida no mesmo nível dos comandos mais antigos do Rio. CV, TCP… não arrego pra nenhum. E, quando digo nenhum, é nenhum mesmo. Não vivo em morro, não preciso. Mäl apareço. Minha presença é reservada para quando é preciso eliminar um rato de vez. Eu recebo as informações, tomo as decisões, e a execução... bem, a execução é rápida, limpa e sem rastros. Meu braço direito é o Terror do Chapadão. Um sujeito bruto, leal e com faro pra identificar traidor a quilômetros. Ele é casado com a doutora Sofia, nossa advogada. E que dupla. Ele atira, ela livra. Dinamite pura. — Chefe, o problema no Parque União já tá resolvido — disse Terror outro dia, entrando na minha sala com aquele jeito seguro. — Mortos? — perguntei, sem desviar os olhos dos papéis que assinava. — Dois. Um sumiu. Mas não vai longe. — Some com o que restou. E limpa o terreno. Não quero polícia farejando nada. Frio? Talvez. Necessário? Sempre. A verdade é que eu não tenho essa tal de compaixão. Não me confunda: sou humano, sinto raiva, alegria, tristeza, até ódio. Mas amor, piedade, isso já são outros quinhentos. Eu amo o poder. Amo o dinheiro. Amo a fama e tudo que posso comprar com ela. O resto é perda de tempo. Minha vida é um jogo de xadrez. Enquanto alguns jogam dama, movendo peças sem pensar no próximo lance, eu já previ dez jogadas à frente. É por isso que o Comando das Sombras é o que é hoje. No plenário, me veem como um jovem político promissor. Recebo apertos de mão, convites para eventos, entrevistas para revistas. Ninguém imagina que, por trás do terno italiano, existe um homem que já ordenou mais mortes do que muitos chefes de facção veteranos. — Deputado, parabéns pelo projeto de lei — disse um colega outro dia, sorrindo como se estivesse diante de um santo. — Obrigado, meu amigo. Nosso povo precisa de esperança — respondi, segurando o riso por dentro. Eles não entendem que esperança é só uma palavra bonita que uso para manter a narrativa. Enquanto isso, nos bastidores, fecho contratos, compro silêncios e abro caminhos para que o Comando cresça cada vez mais. O Vulgo: Cavaleiro da Morte não veio por acaso. No início, eu mesmo cuidava das execuções. Não pelo prazer de matar, mas porque eu queria mandar uma mensagem: comigo, traição não tem segunda chance. Hoje, raramente sujo as mãos, mas a reputação ficou. Uma vez, um m****o novo do Comando me perguntou se eu não tinha medo de morrer. Olhei nos olhos dele, e falei devagar: — O medo é a arma dos fracos. Eu sou a arma. Ele entendeu. Ou pelo menos fingiu que entendeu. Não durou dois meses no Comando, foi exterminado pelo medo. Sou um homem de poucas palavras e muitos resultados. A minha calma não significa que eu seja pacífico. Significa que eu escolho o momento certo de atacar. É assim que se vence. Muitos pensam que, pra comandar uma facção, é preciso viver no campo de batalha, subir morro, estar na linha de frente. Eu digo o contrário: o verdadeiro poder está em estar no controle sem se expor. Quem se mostra demais, vira alvo fácil. A cidade é minha. As leis que aprovam na Assembleia Legislativa? Muitas delas passam pela minha mão antes mesmo de serem debatidas. Empresas me procuram para conseguir favores. Policiais e juízes, alguns trabalham pra mim, mesmo sem saber. — Cavaleiro, aquele contrato da Zona Oeste foi fechado — informou Sofia outro dia. — Bom. Agora, garante que o registro da área esteja limpo. Não quero pendências. Tudo que eu faço é para fortalecer a minha rede. No crime ou na política, não existe espaço para sentimentalismo. Eu já vi homens grandes caírem porque se apaixonaram. Vi outros perderem tudo porque tiveram pena de um inimigo. Eu não cometo esse erro. Se alguém está no meu caminho, eu removo. Não importa quem seja. No Comando das Sombras, não existe democracia. Existe ordem. E a minha palavra é a única que importa. Traiu, morreu. Falhou, pagou. Entregou, sumiu. Simples. Muita gente me chama de frio, impiedoso. Eu chamo de pragmatismo. O mundo não é justo, então eu jogo conforme as regras reais, não as inventadas pra manter a ilusão de moralidade. Se tem algo que aprendi, é que poder não é dado, é tomado. E, quando você o tem, precisa estar disposto a fazer qualquer coisa para mantê-lo. Eu sou o Cavaleiro da Morte. E, enquanto eu estiver no comando, ninguém, absolutamente ninguém vai me derrubar. Hoje eu estava em uma viagem, quando o meu telefone tocou. Fui informado de que o Clóvis, um empresário falido, viciado. Que me deve uma grana alta, queria dar a sua enteada como pagamento. Na hora eu sorri, Ele acha que o meu comando é o que? Máfia de tráfico humano? Mas algo dentro de mim, mandou aceitar esse belo pagamento. Só espero não ter que apagar o meu pagamento, antes dele me oferecer algum resultado positivo. Aviso Importante, minhas lindas. Essa semana, até o dia 20, vamos ter apenas 1 capítulo por dia. Eu sei que vocês amam maratonar, mas segura firme que é por pouco tempo. A partir do dia 21, se preparem, porque vem aí muitos capítulos e uma atualização intensa pra vocês ficarem grudadas na história. Obrigada pelo carinho e paciência de sempre. Amo cada uma de vocês! ❤️
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD