Lembranças

1194 Words
Tribunal Nova York City. Pov's Sophia Brunetti Por mais que me doesse, saiu da minha boca uma resposta difícil, pegando todos de surpresa: — Não posso aceitar, excelência.— devolvi o papel, e me fechei. — Continuarei no processo, se o promotor assim quiser.— entreolhei para ele. Ryan franziu a testa, olhando-me perplexo. Toda animação que estava em meu rosto, desapareceu. Eu tentava segurar as lágrimas. — Preciso me retirar, com licença! Sai daquele gabinete, tão m*l. Eu preferia abrir mão da nomeação, do que meu vício ser exposto pro tribunal. — Mamãe, por que você está chorando?— Júlia perguntou, enquanto buscava me alcançar. — Não é nada.— me sentei em uma das cadeiras. — Aquele i****a te fez chorar?— a vozinha dengosa questionou. A olhei, visualmente triste, notando o quão preocupada estava em me ver naquele estado. — Não.— respondi, deslizando a mão ao redor do seu rostinho fofo.— Ninguém me fez chorar, filha. — Você nunca me chama de filha.— na inocência, constatou— Você deve tá doente, mamãe. Sorri em meio às lágrimas, porque de fato, o meu jeito frio em não ser carinhosa com ela, as vezes fazia Júlia estranhar. Abracei, e ela encostou a cabecinha no meu ombro. Eu me sentia confortada, porque foi muito difícil recusar a proposta, mas eu não poderia aceitar ser uma promotora sendo uma viciada. (....) Avistei o n***o do lado de fora da vidraça. Arregalei os olhos, pela sua audácia de aparecer de frente ao tribunal. As pressas me levantei. — Fica aí, tá. Não sai daí! — Pra onde vai, mamãe? — Vou só resolver um negócio. Sai para fora, olhando se um lado pro outro, me certificando que ninguém tivesse atento aos meus movimentos. Fui pelos fundos do tribunal, porque na entrada principal, estava cheio de jornalistas. Desci os degraus da escada, praticamente correndo com meu salto alto, para ir impedir daquele traficante continuar de frente ao órgão público. — Tá ficando, maluco!— o empurrei, puxando para o canto reservado.— Tá querendo ser preso? Ele me abraçou e fiz uma cara de nojo. Ele estava fedendo a maconha! — A patroa fugiu das áreas. Revirei os olhos, afastando-o. — Que fugir o quê, n***o? Estou apenas ausente, estou cuidando de um caso importante. — Parece uma madame.—o próprio reparou no meu visual, sorrindo. — Te vi na tv, falei pros meus comparsas: aquela é a minha gata! — Agora, né? Quando eu era apenas uma mendiga, você nem me dava bola! Chegava até me ameaçar com uma arma.— o relembrei.— Pra cima de mim, n***o, não caio na sua lábia. Com tom irônico, lhe dei um fora. – A patroa tá me devendo uma grana, tá lembrada? — Como se eu fosse esquecer, né.— dei de ombros, com a cara de sarcasmo. — Tá toda arrogante pra cima do n**o, não sou nenhum cachorro pra ser maltratado. — ele murmurou, todo sentido. — Ah, n***o, não vem me encher o saco! Eu apareço lá pela boca de fumo, agora dar o fora daqui! Me virei para retornar ao tribunal, mas o vagabundo segurou no meu braço, apertando. — Eu quero a minha grana!— ele exigiu, me intimidando. – Eu vou te pagar, só não tô com o dinheiro aqui, mas sua grana já está comigo. – É bom que esteja mesmo, porque senão eu posso fazer um estrago nesse rostinho.— me ameaçou, dando duas batidinhas de leves na minha bochecha.— Anda pela sombra, doutora, para não se queimar. Aquele traficante achava que eu tinha algum medo de ameaça, mas eu sabia que poderia enrola-ló facilmente se eu quisesse. (....) Retornei, e o promotor já me procurava. — Onde você estava, Sophia?— Ryan questionou, desconfiado. — Fui tomar um ar fresco.–menti, e ele continuou olhando pro lado de fora.— O que foi, perdeu alguma coisa? — Estava sozinha? — E com quem mais estaria?— revidei, me fazendo desentendida. Entramos juntos. Disfarcei, quando Júlia se aproximou: — Mamãe, que horas vamos embora? — Agora.— falei, entreolhando para o promotor de relance.– Vamos. Peguei na sua mãozinha. — Temos que conversar, Sophia, em particular. — Posso receber seu sermão só quando chegarmos em casa?— meu tom foi direto. O vi suspirar fundo. — Não estou afim no momento. — Eu vou pegar a chave do carro, para irmos buscar Sofia no colégio. — Ok.— resolvi esperá-lo. — Esse homem é tão fechado.— Júlia disse, assim que ele se afastou, bem sério. — Esse homem é muito mais do que isso...— murmurei em voz alta, enquanto o via ir. — Você gosta dele, mamãe? — Já perdi pra você não me perguntar essas coisas, Júlia.— a minha voz saiu nervosa.— p***a, você é muito inconveniente!— briguei, estourando — Para de ser chata menina. Ela ficou calada, com o bico nos lábios, quase chorando. Seus olhinhos ficaram sentidos, e depois me arrependi com pena de vê-la triste. — Eu roubei uma coisa dele. — O quê?— a olhei incrédula. — E vi essa foto.— me mostrou. – Ele era o seu namorado?— com a vozinha confusa, a pequena questionou. — Ele era o meu noivo.— abri o jogo.— Iríamos nos casar, estávamos apaixonados. — E quem era essa bebê que você segurava no colo, mamãe? Essa bebê era eu? Fiquei olhando pro retrato e relembrando do momento que fui pedida em casamento. Ryan ainda guardava lembranças de nós dois.  — Essa bebê....– pausei, tomando coragem pra...– Era a sua irmã. — Irmã?— Júlia se chocou, com os olhinhos arregalados.— Como assim, irmã? — O promotor é o seu pai... e a Sofia é a sua irmãzinha. Ela largou a minha mão no mesmo momento, soltando. Naquela hora, eu sentia que havia a perdido. A reação da minha filha foi das piores. Ela se sentiu traída, enganada e rejeitando a ideia. Ela saiu correndo para fora do tribunal, e corri atrás. O promotor veio junto, quando presenciou o que estava acontecendo. E assim que Júlia estava atravessando a rua, sem prestar atenção em nada, vinha um carro. —FILHA!— gritei, em desespero. Mas antes do veículo bater em cheio nela, Ryan a puxou de pressa, e os dois se jogaram sobre a calçada, onde ele pôde salvar a nossa filha de ser atropelada. Ele a abraçou fortemente, com medo que tivesse acontecido alguma coisa de r**m. E naquele instante, Júlia se sentia protegida por alguém, ganhava um abraço que nunca recebeu antes, um abraço apertado do pai. O cuidado que ele demonstrava ter em acalmá-la, por se encontrar soluçando de chorar por causa do susto, fazia eu olhá-lo com outros olhos. Ele secava carinhosamente as lágrimas da nossa filha, era uma cena tão bonita, que fazia o meu coração se emocionar. E por mais que eu guardasse mágoa do passado, a minha percepção pelo Ryan estava mudando. Eu queria que ele voltasse a fazer parte da minha vida, e pudesse dar amor a nossa filha.
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