Estava aflita procurando o meu nome na lista de aprovados e já estava quase perdendo as esperanças quando vi meu nome ali escrito APROVADA.
Não estava aguentando de tanta emoção, nem acredito que depois de tudo que passei eu finalmente consegui alcançar o meu sonho, ou pelo menos a metade dele.
Estava junto com a Pietra e quase nas ultimas ela foi aprovada também, isso não poderia ser melhor.
Parti pra clinica da Jade pra poder da a noticia pra ela, afinal se não fosse por isso eu nem estaria aqui comemorando hoje.
Era satisfatório ver o quanto ela vibrava junto comigo pela minha conquista.
Ajudei ela a terminar os atendimentos logo pra podermos ir pra casa e sair pra comemorar, acho que to começando a pegar gosto por essa vida.
Nos arrumamos e ficamos lindas pra curtir um show do Felipe Ret que ia ter no mirante da rocinha, aproveitar os últimos dias porque segunda feira já começa o treinamento.
Pegamos um uber e chegamos la era umas 21:00 e o lugar já estava cheio, pegamos uma mesa pra sentar e ficamos admirando o quão lindo era a paisagem.
Jade: Minha nossa senhora das calcinhas molhadas, quanto homem bonito junto.
Suzana: Nem me fale, to ate começando a repensar sobre dar uns beijos da boca.
Pietra: Amada beijar na boca não tem m*l nenhum, o m*l de vocês é querer acreditar em homem sendo que eles foram feitos pra sentar...simples.- nos rimos.
Pedimos uma bebida e ficamos esperando o show começar, olhei pra entrada e vi um grupinho de homens entrando todos juntos...me arrepiei toda.
Um deles me encarou e ficou me olhando fixamente e eu sustentei o olhar pra ele, mas sai dos meus pensamentos impuros com aquele homem todo tatuado e acordei.
Esse não é o meu foco, chega de homem.
Bebemos pra c*****o e cantamos ate ficar roucas, sem condições pro tanto que eu sou fã desse homem.
Suzana: Meninas eu vou no banheiro. – já estava bêbada ate demais, acho que já ta na minha hora.
Fiz minhas necessidades e sai do banheiro indo ate as meninas mas senti alguém esbarrar em mim, já estava preparada pra xingar a pessoa de tudo quanto é nome quando me deparei com quem era.
Xx: Desculpa ai mina, impossível prestar atenção em outra coisa quando tu ta perto.- fiquei sem graça mas mantive a minha postura.
Suzana: Essa é a tua melhor cantada?- ri.
Xx: Depende, você quer conhecer as outras?- mordeu os lábios.
Suzana: Talvezz. – fixei meu olhar no dele.
VT: Prazer, VT. – beijou o canto da minha boca.
Suzana: Satisfação, Suzana. – falei perto do ouvido dele e acabei me rendendo para um beijo.
E minha nossa senhora, que beijo foi esse...nem sabia que era possível sentir tanto t***o so beijando alguém.
Nos separamos pela falta de ar e eu nem dei tempo dele falar nada, apenas sai.
Eu que não vou ficar rendendo ideia pra macho achar que eu sou emocionada, não mais.
.....
Acordei 6:00 da manha e já estava prevendo que iria chegar atrasada.
Me arrumei toda e fiquei esperando a Pietra passar pra me buscar, a segunda feira chegou rápido e eu já estava contando os segundos pra finalmente me tornar uma oficial da policia.
Chegamos la e fomos para um campo aberto com todos os outros aprovados, fique um pouco incomodada por sermos as únicas mulheres naquele lugar e como de costume ficamos recebendo aqueles olhares nojentos.
O delegado chegou no local e todos nos posicionamos.
Delegado: Prazer alunos, eu sou o delegado Andre e estou aqui somente para supervisionar vocês, caso tenham qualquer duvida é so falar comigo...Quem ficara responsável pelo treinamento de vocês vai ser o sargento Magalhães. – chamou e todos bateram palma e eu fiquei sem entender.
Eu conheço esse cara de algum lugar, parei pra pensar um pouco e foi muito fácil lembra quem ele era, não estou acreditando que era o mesmo cara que eu vi aquela noite no beco com os dois caras.
Isso sinceramente n******e ta acontecendo.
Continuei do mesmo jeito que eu estava e ele olhou pra mim um pouco assustado, tenho certeza que ele também me reconheceu.
Desviou o olhar e começou a fazer todo um discurso encorajador pra gente desistir, passou pela fila olhando para cada um de nos.
Magalhães: Se eu fosse você desistia, mulheres não costumam durar muito aqui. – fingi que não estava escutando e me mantive em meu lugar.
Se ele acha que vai me desestabilizar ele ta muito enganado.
Fomos todos para uma área com uma espécie de pista de corrida e essas coisas de teste físico, graças a Deus eu treinei bastante pra isso.
Um de cada vez nos fizemos tudo oque nos mandaram e boa parte dos homens cumpriram todas as atividades com êxito.
Na minha vez tava faltando pouco eu começar a dar tremedeira.
Tomei a minha posição e me concentrei, mesmo que com o olhar daquele cara em cima de mim fosse quase impossível. Mas eu sei que eu consigo!
Por incrível que pareça eu cumpri todas as atividades com êxito, ate melhor do que alguns homens eu arriscava dizer.
Era nítido a expressão de raiva na cara do sargento quando viu que eu havia conseguido.
Fiquei aliviada por mim mas quando chegou a vez da Pietra foi so pela misericórdia de Deus, a mulher terminou aquilo parecendo que iria morrer e prontinha pra ser enterrada.
Suzana: Eu disse que você deveria treinar mais. – falei baixinho enquanto ela tomava agua e tentava se recompor.
O sargento ficou por um tempo anotando algumas coisas e quando terminou ele dispensou metade das pessoas que estavam com a gente e não passaram no teste, restando so 6 pessoas contando comigo.
Quando eles foram embora nos fomos reunidos e nos entregaram um uniforme simples da policia, ele é simplesmente lindo e eu m*l posso esperar pra me ver vestida com ele.
Sargento: O treinamento de vocês não vai ser essa molesinha que estão pensando não. Vai ser como se fosse um estagio e conforme for passando as etapas vocês vão ser dispensados e so vai sobrar 3 no final...os que restarem entraram para a equipe. – nos concordamos escutando atentamente. – Amanha não se atrasem e não se esqueçam dos uniformes, nos iremos fazer uma visita no presidio de bangu, quero vocês respirando suor de marginal, vocês tem que dar medo so de chegarem perto.
....
Cheguei em casa e estava exausta, fui direto tomar um banho gelado pra aliviar o estresse e colocar as ideias no lugar.
Já vi que esse “estagio” não vai ser tão fácil quanto eu pensava.
Fiz um macarrão com queijo rápido e sentei no sofá pra assistir Netflix, finalmente um momento de paz.
É tão bom poder me sentir livre de novo.
Jade: Eai gatinha, como foi seu primeiro dia? -se jogou no sofá com expressão de cansada.
Suzana: Se eu te contar você nem acredita, lembra daquele cara que eu tinha visto no beco perto do barzinho?
Jade: O policial? – foi ate a cozinha colocar sua comida.
Suzana: Ele mesmo, ele é o responsável pelo meu g***o e já deixou bem claro que sabe quem eu sou. – me olhou assustada.
Jade: Toma cuidado com isso Suzana, esses caras não são flor que se cheire e muito menos com mulher.- concordei.
Dessa vez eu realmente teria que tomar cuidado.
......
Acordei um pouco mais cedo do que ontem pra não correr o risco de me atrasar, fiz uma trança no cabelo e me arrumei.
Fui pra frente do espelho e fiquei me admirando com aquele uniforme lindo, pra uns pode não ser nada mas pra mim essa roupa aqui representa muita coisa.
Coloquei as minhas coisas em uma mochila pequena e fui pra frente de casa esperar a Pietra, aquela la quase que desiste ontem mesmo, oque o medo de perder a mesada não faz com uma pessoa.
Pra mim se aquilo que você ta fazendo não é oque você ama então nem vale a pena insistir.
Encontrei com ela e rapidamente nos chegamos a base onde já tinham dois carros da policia na porta e todos estavam em formação.
Sargento: Da próxima vez que forem chegar atrasadas vocês nem precisam vir mais. – revirei os olhos e fui ocupar o meu lugar na formação.
Nos dividimos em dois grupos e cada um foi em um carro e pra minha sorte, o sargento estava no mesmo carro que eu e não desfazia aquela cara de cu por nada.
Fiquei na minha observando a paisagem e aproveitando o vento no rosto ate chegarmos aqui.
Pra falar a verdade eu nunca tinha vindo em um presidio, chega ser ate engraçado de dizer.
Estávamos com o sargento e o delegado, cada um tomou posse de um g***o e fomos para pavilhões distintos.
A cada corredor que nos passávamos me dava arrepios, isso daqui é bem pior do que vocês podem imaginar.
O Sargento deu permissão para que nos separássemos e eu fui “explorar”, estava em um lugar aonde tinham presos separados um em cada cela, fui andando e conforme ia passando por eles ia recebendo olhares, ainda não consegui me acostumar com isso.
Cheguei no final do corredor aonde tinha a ultima cela e algo la me chamou atenção, tinha um cara deitado mas...ele não tinha cara de bandido.
Tudo bem que bandido não tem cara mas, sei la, tinha alguma coisa diferente nele.
Percebi que estava olhando demais quando ele me encarou, ia sair andando mas ele me chamou...eu quase não parei, mas alguma coisa nele estava me chamando.
Xx: Voce é nova aqui? – perguntou baixo.
Suzana: Estou so de passagem, não sei se volto aqui.- disse um pouco apreensiva.
Xx: Eu sou o Dante, você precisa me ajudar.- fiquei um pouco assustada mas incentivei ele a dar continuidade ao que estava falando.- Não era pra mim ta aqui.
Suzana: Todos dizem isso. – ri.
Dante: Eu to falando serio armaram uma enrascada pra mim, eu so queria ajudar minha mãe e acabei me metendo com oque não devia. – disse e não sei por que mas eu senti sinceridade nele.
Suzana: Que tipo de coisa que não devia?- perguntei mesmo já sabendo oque viria.
Dante: Eu não posso ficar falando disso aqui mas, vem em uma visita, eu juro que te conto tudo mas você precisa me ajudar...esses caras daqui são todos corruptos que so querem saber de dinheiro e ver a gente se fuder. – olhei pra ele pensativa, oque ele queria dizer com corruptos...- Dante Montenegro.
Antes que pudesse falar alguma coisa escutei o sargento me chamando e acelerei o passo pra poder sair dali, não podia nem sonhar em deixar alguém ver eu conversando com um detento.
Mas que eu estava com aquilo martelando na minha cabeça eu estava.