Capítulo 4

1318 Words
  Ponto de Vista de Christina   Beatrice gritou e saltou do colo dele. "Christina?! Você ficou louca?! O que você está fazendo aqui?!"   Ela se apressou em inventar uma mentira. "Você está entendendo tudo errado, não é o que parece—"   Niall a interrompeu, a mão apertando o braço dela. "Não precisa se explicar, Beatrice. Não importa. Os seus pais vão ficar do nosso lado. A gente está só corrigindo um erro antigo."   O pânico de Beatrice se transformou instantaneamente em arrogância. Ela se aninhnou ao lado dele e arrulhou: "Ai, querido, sua testa está sangrando. Precisamos ir ao hospital."   Niall calmamente pegou um lenço de um dos seus seguranças, tampando o sangue na testa. "Então agora você sabe de tudo."   Antes que eu pudesse responder, Ysolde avançou, a mão erguida para dar um tapa em Beatrice. "Sua v***a nojenta—"   A mão de Niall disparou, agarrando o pulso de Ysolde com brutalidade. A voz dele era gelada. "Minha mulher não é para ser insultada por uma ninguém de uma alcateia de fundo de quintal. Quer fazer o papel de heroína? Conhece o seu lugar."   Meu coração afundou. É claro. Ele era um Alfa poderoso. Não podia enfrentá-lo de frente.   Mas eu ainda tinha o caco de vidro na mão.   Me movi rapidamente, puxando Beatrice para a minha frente e pressionando a borda serrilhada contra a bochecha dela. "Solta minha amiga, ou vou garantir que o rosto da sua mulher combine com a personalidade dela. Afinal, mesmo com a cura de lobisomem, as cicatrizes ainda aparecem, não aparecem?"   Os olhos de Niall faiscaram perigosamente. "Você não ousaria."   "Você ficou me traindo com a minha irmã por quatro anos nas minhas costas," disse com calma. "Como você acha que vai parecer quando essa história vazar? Não muito bem para a sua reputação, imagino."   Niall hesitou, então soltou devagar o pulso de Ysolde.   No momento em que ele soltou, passei o vidro pela bochecha de Beatrice.   Ela gritou.   "Agora pega a sua mulher e vai embora."   ---   Assim que foram embora, Ysolde me arrastou para fora do clube.   "Chrissy... sinto muito. Não fazia ideia que eles estariam lá esta noite. Nem sabia que a Beatrice tinha voltado." Os olhos de Ysolde estavam cheios de remorso.   Dei uma risada amarga e balancei a cabeça. "Eu também não. Mas ouvi alto e claro — eles ficaram se pegando por um bom tempo. Para eles, eu só estava no caminho."   "Seus malditos filhos da p**a!" Ysolde sibilou entre os dentes cerrados. "Você devia contar para os seus pais. Deixar eles saberem que a Beatrice não é o anjo perfeito que eles pensam que é. E os pais do Niall? De jeito nenhum vão tolerar um escândalo desses."   Fiquei quieta por um momento. Ysolde tinha razão — Louisa, a mãe de Niall, era a única pessoa que havia me apoiado. Mas ele era filho dela. Ela não me escolheria em vez dele. No final das contas, não.   E meus pais? Soltei um fôlego. "Você sabe melhor do que ninguém — eles só se importam com a Beatrice. Não importa o que eu faça, nunca vou substituí-la."   Ysolde agarrou meus ombros, a preocupação escurecendo o olhar. "Então o que agora? Você vai simplesmente deixar eles te humilharem?"   "Talvez." Minha voz caiu para um sussurro, carregado de cansaço. "Talvez se eu aceitar, finalmente vai acabar."   De repente, o celular de Ysolde vibrou. Ela olhou para a tela, as sobrancelhas franzindo de frustração. "Chrissy, meu agente acabou de ligar. Tem uma gravação de publicidade de última hora, preciso ir agora. Você consegue chegar em casa sozinha?"   Acenei com a cabeça, conseguindo um sorriso fraco. "Vai. Não se preocupa comigo. Ligo quando chegar."   Depois que ela foi, chamei um táxi. Por instinto, dei ao motorista o endereço de casa. Mas m*l dois minutos depois de entrar no carro, uma onda de pressão sufocante se instalou sobre mim.   "Na verdade," disse, "me leva a qualquer bar. De preferência um onde as pessoas vão para esquecer o próprio nome, não para comemorar."   O motorista m*l deu de ombros. Em Highrise City, coração partido era só mais um padrão de trânsito.   Dez minutos depois, eu estava sentada no bar, com meu terceiro whiskey sour. Talvez quarto. Perdi a conta. O bartender continuava me lançando aquele olhar de "você provavelmente devia diminuir o ritmo", que eu estava completamente ignorando.   "Mais um," exigi, empurrando o copo vazio para frente.   "Senhora, talvez—" o barman começou.   "Eu gaguejei?" o cortei, deslizando meu cartão de crédito pelo balcão como se fosse uma arma. "Estou tentando afogar as mágoas, não batizá-las."   O bartender suspirou, mas obedeceu.   "Esse cara está certo," uma voz grave veio de atrás de mim. "A não ser que queira acordar na cama de um estranho esta noite?"   Me virei, pronta para repreender quem quer que fosse ousado o suficiente para me interromper — e então congelei.   Era ele. O vizinho gato. Aquele que havia me ajudado depois de eu ter chutado a porta dele por engano, educadamente me indicando a certa.   Esta noite ele estava vestido com um terno caro, o cabelo penteado para trás, revelando traços marcantes que fariam Michelangelo chorar de inveja e implorar para esculpi-lo.   "Olha quem apareceu," arrastei as palavras. "O enviado da Deusa da Lua. Ela te mandou meu GPS, ou você tem algum radar embutido para mulheres tomando péssimas decisões?"   Ele deu uma risada, o som rico e quente como um conhaque caro. "Vamos chamar de um complexo de salvador bem calibrado."   "Você devia ter sido o Capitão Resgate em vez de um Alfa," suspirei dramaticamente. "Ou talvez Dom Juan, oferecendo sessões de terapia para cada mulher de coração partido em Highrise City."   "E eu achava que você mesma ia se inscrever nas sessões de terapia," ele disse, os olhos brilhando de malícia.   "Oferece seus serviços para toda vizinha?"   "Só para as que parecem determinadas a se autodestruir a qualquer momento."   "Bom, eu basicamente sou profissional nisso," disse, erguendo o copo. "Minha vida é tipo glitter em carpete — bagunçada e impossível de limpar."   Ele não riu, não correu para me confortar, nem negou o que eu havia dito. Apenas me observou em silêncio, como um espectador assistindo a um filme catástrofe.   "Você não está errada," ele finalmente disse. "Seu talento para o caos é impressionante. Eu estava certo em te chamar de furacão. Você m*l consegue ficar de pé, e ainda assim está aqui, bebendo mais."   Abri a boca para argumentar, mas ele continuou: "Mas de alguma forma você sempre parece encontrar alguém que se recusa a ir embora... bem na hora em que está prestes a se autodestruir completamente."   "Você está flertando comigo, Alfa Problemático? Ou é algum tipo de missão de resgate esquisita?" Estreitei os olhos.   O sorriso dele foi lento. "Alguma das respostas faria você beber menos?"   "Provavelmente não," admiti. "Mas uma delas pode fazer a ressaca valer a pena."   Então realmente o olhei. Ele não era apenas bonito. Era perigosamente bonito. O tipo que significava problemas e tentação, tudo embrulhado num só. Nada dos garotões com fundos fiduciários e bronzeado artificial que povoavam a maioria dos clubes de elite de Highrise. Esse era um homem que sabia exatamente quem era e não precisava da permissão de ninguém para ser assim.   Talvez fosse o álcool, ou o rosto devastadoramente bonito dele. De qualquer forma, o pensamento que me assombrava desde o momento em que o vi pela primeira vez voltou à minha cabeça.   Antes de poder pensar melhor, minha mão estava no braço dele.   "Então, Sr. Vizinho Prestativo," disse com voz rouca, "já que você é tão dedicado à intervenção, por que não intervir até o fim?"   Um lampejo de surpresa, então ele ficou sério. Mas não se afastou. Apenas sustentou meu olhar e disse: "Só se você assumir essa decisão quando estiver sóbria."   "Pode confiar," disse sem hesitar. "Esse é o primeiro pensamento claro que tive a noite toda."
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