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1512 Words
Luzia ergue as sobrancelhas quando abre a porta, a surpresa ficando estampada em seu rosto em fração de segundos. - Menina Laura - diz levando ambas as mãos até a boca - Por onde você andou? - Sua voz era baixa, contida, como se não quisesse que seus patrões escutassem seu afeto por mim. Pigarreio, tentando me acalmar. - É uma longa história - murmuro, sem olhar para ela. Não demora para ela perceber o homem de quase dois metros de altura ao meu lado, vestido de preto, como se estivesse indo para um velório. - E este rapaz - Ela o olha com atenção - Quem é? Christian dá um breve sorriso. - Não está lembrada de mim, Luluzinha? - Seu corpo se torna ainda mais surpreso, quando aos poucos sua memória começa a cooperar. - Eu não acredito - diz num sussurro, abrindo a boca num O - Chris. Como você cresceu! - Já sou um homem. - Um homem bonito - Ela abre um largo sorrindo, olhando ele de cima abaixo com atenção - E seu irmão? Está bonito como você? - Rafael nunca vai ser bonito, Luluzinha - Era estranho ver Christian brincando com alguém, além do Lord, nem parecia que ele estava colocando um plano em ação e que estava me fazendo passar pelo inferno. Luzia me olha novamente e depois para Christian, se dando conta do óbvio e ao lembrar dos motivos que nos levaram a nos separar. - O que vocês dois estão fazendo juntos? Bingo! Inspiro profundamente, olhando para “Chris” esperando que ele fizesse a honra de responder. Entretanto, ele apenas dá um meio sorriso em minha direção. - Estamos aqui para comunicar aos pais de Laura que vamos nos casar. - Vocês o quê?! - Ela eleva um pouco a voz, pega completamente desprevenida. - Vai ser algo rápido, tenho algumas coisas para fazer ainda hoje - Dito isto, ele passa por ela sem ao menos receber autorização para entrar, me puxando junto. Tento me livrar da garra em meu pulso em vão, batendo contra suas costas no momento em que ele para abruptamente. Saindo de trás dele, percebo o motivo pelo qual ele havia parado. Meus pais estavam na sala de estar, ela com uma revista e ele um livro, parecendo concentrados; Concentrados não o suficiente para nos notar ali em pé. De imediato, lentamente minha mãe tira seu óculos de leitura e estreita os olhos, nos olhando com atenção. - Laura - diz num tom baixo, que eu conhecia muito bem o que significava. Engulo em seco, desejando voltar para de trás das costas de Christian - E quem é este? Me sinto plenamente incapaz de pronunciar qualquer palavra, me dando conta de como Christian se sentiu no passado e até mesmo comecei a admirar a coragem que ele teve ao dizer à minha mãe que queria se casar comigo. - Dona Roberta, não lembra de mim? - Ouço a voz de Christian de repente, o que torna o clima ainda mais pesado. Minha mãe fixa o olhar dela ainda mais nele, assim como o meu pai, que até mesmo havia fechado o seu livro. - Quem é você, rapaz? - A voz do meu pai soa insistente. - Sou o filho mais velho da antiga funcionária de vocês. Suzana. A perplexidade ficou estampada no rosto dos dois, eu queria me encolher o máximo que eu pudesse mas, ainda não conseguia me mexer e nem sabia se eu voltaria a me mexer, poderia até mesmo me urinar com tanta pressão. - Meu filho, é melhor você ir embora - diz Luzia de forma gentil, ao lado de Christian, tentando o fazer sair antes que fosse tarde de mais. - Estou apenas acompanhando Laura. Tem algo que ela queria dizer aos pais. Como se uma luz fosse acesa em mim, ambos me olham no mesmo instante, me encaram, como cães prestes de atacar. Lord perto deles era inofensivo. - Quer me explicar o que está acontecendo aqui, Laura Cristina? - Minha mãe se levanta, sem tirar os olhos de mim. Christian dá um passo para o lado, com aquele sorriso de antes. - Vai, amor. Conta para eles - diz ele de uma forma carinhosa, que até então não havia cogitado usar comigo. Engulo em seco, sentindo leves tremores pelo meu corpo. Estava me sentindo ridícula com aquele vestido, que havia ficado largo em meu corpo, graças ao peso que perdi. Havia improvisado um coque no meu cabelo, afim de esconder os nós que já havia no mesmo, por falta de cuidado e assim que seu olhar se intensificou ainda mais em mim, me senti vunerável. - O que você está fazendo com este moleque, Laura? - Meu pai questiona, com sua paciência já indo para o espaço. - Que interessante - diz Christian sarcástico - Eu era rapaz agora há pouco e já sou moleque? - Não dirija sua palavra à mim - Meu pai aponta o dedo indicador na direção dele. - O que é isso sogro, logo vamos ser uma grande família. - O quê?! - O grito da minha mãe é estridente, causando um silêncio de imediato no cômodo. Sua respiração se torna pesada, seus lábios pintados de rosa claro se abrem e me preparo para começar a ser amaldiçoada até minha quinta geração - Você e esse marginal...? - Ela não consegue terminar. Christian me olha, esperando que eu dissesse o combinado. -... nós vamos nos casar - murmuro. Meu pai tira os óculos, massageando os olhos. Minha mãe coloca as mãos na cintura, fazendo com que as pulseiras em seus braços tintilhassem e brilhassem ainda mais naquela luz. - Foi por causa dele que fez tudo aquilo? Balanço minha cabeça de imediato de um lado para o outro. - Não. - Você tem noção do que estão falando de você? Eu tinha uma ideia. E não eram boas coisas, principalmente se tratasse da família de Lindemberg. - E você tem noção do que eu tenho passado? - Elevo a voz, fazendo com que o silêncio prevalecesse mais uma vez. Minha mãe sorri com amargura, deixando claro que não se importava nem com um terço que estava acontecendo comigo por causa dela. - Você destruiu a sua vida, Laura. Agora você vai ser como ele e espero não ter que nunca mais ver você. Meu pai se coloca de pé, se aproximando da minha mãe. - Você é a desgraça dessa família. Achei que tendo uma irmã como a sua irmã, seguiria os mesmos passos que ela - Ele complementa, acabando por jogar a última pá de areia em cima de mim. Sempre odiei ser comparada com a Luna e meus pais sabiam disso mas, antes tentavam disfarçar a preferência que tinham . Mas agora não precisavam mais, já que eu havia feito o que eles sempre quiseram fazer. - Eu espero vocês no casamento - diz Christian, como se o clima ali não estivesse apocalíptico. - Prefiro ficar pobre do que me misturar com a sua raça - diz a minha mãe entre dentes. - E saiam daqui, antes que eu chame a segurança do prédio ou até mesmo a polícia - Ele me olha, deixando claro o meu maior medo naquele momento. E eles também sabiam que a polícia estava me procurando. Entretanto, ambos não queriam passar pela vergonha por uma das filhas serem presas bem diante de seus olhos e dos vizinhos. Não espero falarem novamente, giro meus calcanhares e aliviada, começo a sair do apartamento, os ouvindo ainda falar alguma coisa que, ignoro completamente. Não paro de andar ao chegar no corredor, continuo andando, me contendo para não correr ao virar o corredor. Antes mesmo de chegar no elevador, meu braço é segurado e sou puxada bruscamente para trás. - Tentando se livrar de mim. Puxo meu braço com força, ao encarar Christian. Já estava começando a ficar de saco cheio de tudo aquilo. - Está feliz agora? - questiono com raiva, minha respiração pesada e meu coração ainda acelerado em meu peito. Ele dá de ombros, como se não me importasse nem um pouco com o meu estado. - Nem começamos ainda, amor. - Não me chama assim! - Elevo ainda mais a voz, quando ele passa por mim, andando em direção do elevador. - Eu costumava chamar e até onde eu lembro, você gostava - Entro no elevador, apertando o botão do térreo com força. - Não sou o seu amor - murmuro irritada. - Até que fim concordamos em alguma coisa - Ele se recosta no espelho, cruzando os braços em cima do peito, soltando o ar dos pulmões. Foi ainda mais doloroso ouvir aquelas palavras dele. Acho que uma parte de mim, ainda esperava que ele fosse apaixonado por mim e que estava tentando me reconquistar, claro que se estivesse, era um método um pouco estranho mas, a verdade é que não estávamos em um conto de fadas e não terminaríamos com um felizes para sempre. Muito provavél com um se odiando para sempre.
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