A vida é feita de escolhas... Alguém me disse isso uma vez, mas, o que fazer quando você ainda é apenas um garoto e não te dão esse direto de escolher? Às vezes é mais fácil fechar os olhos e julgar, apontar aquele garoto sujo nas ruas, vendendo drogas para sobreviver e não estou falando do dinheiro e sim de vida. Da minha vida onde eu não tive muitas escolhas, era matar ou morrer, mergulhar de cabeça no submundo e abraçar sua escuridão ou ser engolido por ela. Esse é o meu jeito de viver agora.
Chamo-me Antônio Carlos Ferraz. Quando eu tinha dez anos, vi os meus pais serem assassinos pelo homem que fez de mim um assassino frio e c***l. Me tornei um homem sem alma, insensível e implacável... até vê-la pela primeira vez. Jasmine era a rachadura em minha armadura de ferro, um pequeno foco de luz em minha escuridão. Uma garota simples, com um olhar de menina e um rosto angelical, que fazia o meu dia brilhar diferente. O simples fato de vê-la, mesmo que de longe era um afago para a minha alma dolorida, mas era tudo o que eu podia ter dela, no momento.
Quem vive uma vida de crimes, o melhor é que não se envolva amorosamente. Esse amor seria a sua fraqueza, a sua destruição, assim como foi com a vida do meu pai. Eu e minha mãe éramos a sua fraqueza e fora a sua queda, por isso e somente por isso me mantenho distante dela.
Olho ao meu redor, estou dentro de um imenso galpão, pois é o dia da entrega dos pacotes. Tem muitos homens armados nesse lugar. Na entrada da comunidade, os figuinhas - os garotos armados que vigiam -determinam quem entra e quem sai. Cicatriz, nosso chefe está em seu escritório fazendo a contabilidade com os provedores. Em algumas horas terei que sair e fazer a outra parte do meu trabalho, aquela parte que fui forçado a gostar; apagar alguns arquivos e pressionar alguns devoradores.
Não vou negar, é um mundo atrativo, te rende muito dinheiro, te dar muito conforto, mas confesso que daria a minha vida para sentir um pouco de paz. Penso o quão minha mãe me queria longe tudo isso, que ela apostava nos meus estudos e me mantinha sempre ocupado. Como seria a minha vida hoje se meus pais ainda fossem vivos?
_ Está na hora Marrento. _O aviso me é dado. Eu assinto encarando o gerente das finanças e saio do galpão sem contestá-lo. Quando entro no carro sinto a costumeira adrenalina percorrer as minhas veias e o gosto do sangue vem a minha boca. É como se o meu coração parasse nessa hora e no mesmo instante torno-me um homem frio e calculista. Para o que eu preciso fazer agora, não pode haver sentimentos, nem culpa, muito menos remorsos. Tiro a pistola do cós da calça jeans, verifico o seu tambor e o giro o colocando de volta no lugar. Meu alvo? Um homem de 34 anos, um delator. Ele é um traidor e nós não perdoamos traidores aqui.
Meu nome é Marrento, e eu sou o mensageiro da morte.