O avião já estava estabilizado quando o silêncio entre eles se tornou evidente. Yara permanecia recolhida na poltrona ao lado da janela, fones esquecidos no colo, o olhar perdido nas nuvens que agora escondiam o Rio lá embaixo. Não dormia. Também não parecia querer conversar. Era um silêncio cheio de saudade recente, de excesso de sentimentos, de coisas que ela ainda não tinha coragem de organizar em palavras. Harry, ao lado dela, fingia ler um relatório no tablet. Fingir, sendo a palavra-chave. As letras passavam pelos olhos sem sentido algum. Quatro dias. Era isso que martelava na cabeça dele. Apenas quatro dias haviam sido suficientes para desmontar estruturas que ele levou anos construindo com cuidado quase obsessivo. Ele fechou o tablet, desistindo da encenação, e apoiou a cabeça

