A luz da manhã entrava tímida pelas cortinas altas do apartamento de Harry, filtrada demais para ser invasiva, suave demais para acordar alguém acostumado a madrugadas longas e silenciosas. Yara despertou primeiro. Por alguns segundos, ficou imóvel, apenas respirando, tentando entender onde estava. O cheiro era diferente do dela: mais amadeirado, limpo, discreto. Então sentiu o peso do braço de Harry em sua cintura, o ritmo calmo da respiração ao seu lado. Ela virou o rosto devagar. Harry dormia de lado, os traços relaxados de um jeito que ela nunca tinha visto. Sem a tensão habitual, sem a postura rígida. Os cabelos levemente bagunçados, a testa sem o vinco constante de preocupação. Parecia… jovem. Vulnerável. Yara sorriu sozinha. Com cuidado para não acordá-lo, saiu da cama, catand

