O morro inteiro parava quando ele aparecia.
Os homens abaixavam a cabeça.
As mulheres puxavam os filhos pra perto.
O silêncio vinha antes dele.
Mas ela… ela nunca teve medo.
Ela dançava no meio do baile como se o mundo não pudesse tocá-la. O vestido colado no corpo, os cachos soltos, o sorriso fácil. Cada movimento dela era um desafio silencioso.
Ele observava de longe, encostado na mureta mais alta, braços tatuados cruzados, olhar duro.
— Já falei pra você não vir aqui — a voz dele saiu baixa, perigosa, quando se aproximou.
Ela riu.
— E eu já falei que não sou sua prisioneira.
Os olhos dele escureceram.
— Você é minha responsabilidade.
— Não — ela respondeu, firme. — Eu sou sua irmã. Não sua posse.
A palavra “irmã” queimou dentro dele como fogo.
Ele virou o rosto, cerrando o maxilar, lutando contra algo que nunca soube nomear. Desde sempre, algo nele reagia à presença dela de um jeito errado… intenso… proibido.
— Entra em casa — ordenou. — Agora.
Ela sustentou o olhar.
— Você não manda em mim.
Por um segundo, o morro inteiro pareceu prender a respiração.
Ele deu um passo à frente, tão perto que ela sentiu o calor do corpo dele, a tensão no ar, o perigo escondido no silêncio.
— Eu mando em tudo aqui — ele sussurrou. — E você… é o que eu mais preciso proteger.
Ela engoliu seco.
Sem saber que aquela proteção escondia um segredo capaz de destruir os dois.