carro vira campo de guerra

405 Words
A porta do carro bateu forte. Sofia entrou primeiro, tremendo de raiva. Gabriel veio logo atrás, fechando a porta com força demais. O silêncio durou três segundos. — VOCÊ NÃO TEM DIREITO! — Sofia explodiu, virando-se pra ele. — Você não manda mais em mim! Não manda na minha vida, no meu corpo, no que eu faço pra sobreviver! Gabriel segurou o volante com força. — Sobreviver dançando pra desconhecido? — ele gritou de volta. — Se expondo daquele jeito?! — EU NÃO TINHA OPÇÃO! — ela berrou, as lágrimas caindo. — Você me tirou tudo! Meu chão, minha confiança, meu amor! Você me deixou vazia! Ele virou o rosto pra ela, os olhos vermelhos. — Eu fiz isso pra te proteger! — PROTEGER COMO?! — ela riu, histérica. — Me fazendo me sentir descartável? Me vendo quebrar e não fazendo nada?! O ar dentro do carro ficou pesado demais. — Você me matou por dentro, Gabriel! — ela bateu no próprio peito. — E agora quer bancar o dono? — EU TE AMO! — ele gritou antes de conseguir se conter. Silêncio. O tipo de silêncio que corta. Sofia parou. O choro travou na garganta. — Não… — ela sussurrou. — Não fala isso agora. — Eu te amo desde sempre! — ele continuou, a voz quebrando. — E ver você naquele palco… me enlouqueceu! — Então por que me rejeitou?! — ela gritou de volta. — Por que me empurrou pra longe?! Eles estavam ofegantes. Muito perto. Perto demais. O ódio virou dor. A dor virou saudade. A saudade virou algo perigoso. Sofia empurrou o peito dele com força. — Eu te odeio! — disse chorando. — Eu também. — ele respondeu rouco. E foi ali. Não planejado. Não bonito. Não calmo. Eles se beijaram. Um beijo quebrado, de raiva e necessidade. Duro. Desajeitado. Como quem tenta respirar depois de muito tempo submerso. Sofia se afastou primeiro, assustada com o que sentiu. — Para… — sussurrou, a mão tremendo no peito dele. — Para agora. Gabriel obedeceu na hora. Respirando forte. Olhos fechados. Corpo em guerra consigo mesmo. — Isso não podia ter acontecido… — ela disse, encostando a testa no vidro. — Eu sei. — ele respondeu, a voz em frangalhos. — Mas aconteceu. O carro ficou parado. O mundo lá fora seguiu. E dentro, nada mais estava intacto. Eles tinham cruzado uma linha. E agora… não dava pra fingir que não.
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