O médico estava saindo do hospital quando sentiu a presença antes de ouvir a voz.
— Escuta bem. — Gabriel disse atrás dele.
O homem virou devagar. Reconheceu na hora. O jeito. O olhar. A aura de quem não pede nada — decide.
— Não quero você com a minha irmã.
O médico riu, nervoso, tentando sustentar.
— E quem você pensa que é pra mandar na vida dela?
Gabriel deu um passo à frente. Só um.
— Já ouviu falar no morro do Yakuza?
O riso morreu.
O rosto do médico empalideceu. A garganta secou.
— O… o pior morro… — ele murmurou. — O chefe é um carrasco. c***l. Sem coração.
Gabriel inclinou a cabeça, um sorriso frio no canto da boca.
— Eu tenho coração. — disse baixo. — Só que ele é da minha irmã, Sofia.
O médico engoliu seco.
— Sofia… é sua irmã?
— É. — Gabriel confirmou, sem piscar. — E você vai sumir da vida dela.
— Eu… eu não posso…
— Pode. — Gabriel cortou. — E vai.
Ele se aproximou o suficiente para que o médico sentisse o peso da presença.
— Você vai dizer que não quer mais. — continuou. — Que ela não é pra você. Que você tem esposa. Que Sofia foi só uma amante. Um passatempo.
— Isso vai destruí-la… — o médico tentou.
— Ela sobrevive. — Gabriel respondeu frio. — Você não.
O silêncio ficou denso.
— Você tem dois dias. — Gabriel concluiu. — Inventa uma briga. Faz parecer real. Muito real.
Ele se afastou meio passo, os olhos duros.
— Se ela souber que eu falei com você… — a voz baixou, perigosa — não vai restar ninguém do seu sobrenome vivo. Entendeu?
O médico assentiu rápido, tremendo.
— Sim… sim… eu entendi.
Virou e saiu quase correndo.
Gabriel ficou ali, imóvel.
Não havia vitória no rosto dele.
Nem satisfação.
Só culpa.
E amor distorcido demais para ser limpo.
— Me perdoa, Sofia… — murmurou. — Eu prefiro que você me odeie… do que te perder pra sempre.
E naquele momento, ele selou o destino de todos.