Capítulo 17: Luca Grecco

1069 Words
A explosão foi como um soco no estômago. O som reverberou pelas paredes da mansão, atravessando os corredores e invadindo o escritório onde Pietro, Matia e eu discutíamos estratégias. Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, meu instinto falou mais alto. Eu precisava estar com ela. "Elena!" Gritei, sem pensar. Meus pés já estavam em movimento, correndo para as escadas. Pietro e Matia ainda discutiam, mas eu não podia esperar. Sabia que ela estava no segundo andar, sozinha, dormindo. O caos lá fora podia esperar. Ela não poderia. Quando cheguei ao topo das escadas, o som de outra explosão fez os vidros da janela tremerem. Eu não hesitei. Corri até o quarto dela, a porta estava fechada. Sem pensar duas vezes, arrombei com força, invadindo o espaço. O quarto estava imerso em uma calma perturbadora, mas logo percebi: Elena já estava acordada. Ela estava sentada na cama, os olhos arregalados, o corpo rígido. A mesma tranquilidade que eu esperava ver nela tinha se transformado em um reflexo de pânico. — Luca? — A voz dela estava tremendo. Ela olhava para mim como se tentasse entender o que estava acontecendo. Aquela visão quase me paralisou. Ela estava tão vulnerável ali, a expressão de medo no rosto me cortando como uma lâmina. Eu me aproximei rápido, meu corpo tenso. — O que está acontecendo? — Elena perguntou novamente, a respiração ofegante. Eu me agachei na frente dela, segurando suas mãos, tentando acalmá-la, mas também me acalmando. O som das batalhas lá fora continuava a aumentar, mas aqui, dentro do quarto, só havia nós dois e a preocupação. — Está acontecendo um ataque — eu disse, a voz baixa, mas firme. — Precisamos sair, Elena. Agora. Ela parecia atordoada, ainda processando as palavras, mas algo nos seus olhos mudou. O pânico deu lugar à ação. Ela se levantou rapidamente, ainda agarrada às minhas mãos. — O que... o que eu devo fazer? — Ela perguntou, já começando a se mover, sem hesitar. — Não se preocupe com nada. Eu vou te proteger — eu disse, a urgência tomando conta de mim. Com um último olhar em direção à janela, que refletia o caos lá fora, puxei ela para mim, abraçando-a com força. Não ia deixar que nada a machucasse. Nada nesse mundo. — Vamos. A sensação de urgência era palpável enquanto eu descia as escadas, com Elena agarrada à minha mão, o som da batalha distante se aproximando. Cada passo parecia mais pesado que o anterior, mas eu não podia me permitir parar. Elena estava segura agora, mas eu não sabia por quanto tempo. Quando chegamos ao primeiro andar, a visão de Matia com a nossa mãe me fez respirar um pouco mais aliviado. Fiorella estava enrolada em um roupão, seu rosto pálido, mas ela parecia calma, com Matia ao seu lado, os dois prontos para agir. Eles não estavam hesitando, não como eu. — Luca o que está acontecendo? — mamãe perguntou, seu olhar preocupado se fixando em mim, e então em Elena, que ainda estava ao meu lado, visivelmente tensa. — Precisamos ir para o local seguro, agora — respondi, sem perder tempo. — Elena, você vai ficar com a minha mãe. Vai ficar segura lá. Ela olhou para mim, os olhos cheios de incertezas. A preocupação em seu rosto era quase palpável. Eu podia sentir a mesma dúvida, o mesmo medo, mas não podia ceder. — E os meus pais? — Ela perguntou, com a voz embargada. Eu fechei os olhos por um instante, tentando manter a calma. — Pietro já está indo vê-los. Fique com a minha mãe, por favor. Não é seguro. Ela hesitou por um segundo, mas então assentiu, aceitando a direção, mesmo sem entender totalmente o que estava acontecendo. Matia deu um passo à frente, levando Fiorella para o corredor, e guiando-nos até a biblioteca. Sabia que ninguém mais sabia sobre a sala secreta atrás da estante de livros, o único lugar que poderia nos proteger agora. — Fique aqui, sem fazer barulho. Não saia até eu voltar — eu disse, olhando diretamente para Elena. Minha voz estava firme, mas o olhar de preocupação não deixava meus olhos. Fechei a porta lentamente, sentindo uma estranha sensação de perda, como se estivesse deixando a pessoa mais importante da minha vida em um lugar escuro e seguro, enquanto eu enfrentava o desconhecido lá fora. Ela assentiu, e com um último olhar, fui embora. Caminhei apressado até o exterior da mansão, onde o som das explosões ainda ecoava em minhas orelhas. Matia estava comigo, observando atentamente os movimentos dos soldados enquanto eu me aproximava dos carros destruídos em frente à mansão. Eles estavam completamente arrasados, suas latarias retorcidas e fumegantes. Meu coração deu um salto quando percebi que aqueles carros... eram os meus. — O que aconteceu? — O chefe dos soldados, um homem de expressão severa, estava de pé ao lado dos carros, inspecionando-os com cuidado. Ele levantou os olhos para mim assim que me aproximei. — Esses carros estavam registrados em seu nome, Luca. São os veículos da sua família. Uma raiva silenciosa começou a crescer dentro de mim. Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Matia falou, com o tom de quem já sabia a resposta. — A explosão foi para nós. Eles sabiam exatamente onde estávamos, Luca. Não foi coincidência. — Seus olhos estavam fixos nos carros queimados, e sua mandíbula estava cerrada. Eu senti o peso dessas palavras, a dor do reconhecimento. Aqueles carros foram usados por mim mais cedo naquele dia. Se não fosse pela nossa chegada antecipada, se tivéssemos seguido o plano original, estaríamos ali dentro agora, como uma marionete em uma emboscada. — Mas o que queremos saber agora é quem fez isso e por que — disse o chefe dos soldados, mantendo os olhos fixos em mim, como se estivesse esperando algo. Eu olhei para os destroços dos carros por um momento, minha mente correndo. Eles não sabiam ainda quem estava por trás disso, mas eu sabia uma coisa: aquilo era apenas o começo. O medo que eu tinha sentido mais cedo, aquele medo de perder Elena... agora ele tinha um rosto. E esse rosto não era só de um inimigo qualquer. Esse rosto era de alguém que conhecíamos. E isso tornava tudo muito mais perigoso. — Matia — disse eu, sem desviar o olhar dos carros queimados. — Reúna os outros. Vamos descobrir quem fez isso.
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