(Três anos antes)
O Agente Marcus entrou m*l-humorado no escritório de seu chefe na central do DEA em Quântico, Virgínia.
— p***a Andrew, eu estava de férias. Você ainda sabe o que é isso? Praia, sol, festas e garotas? — resmungou desolado.
— Tenta de novo i****a, além disso, fazenda, arado e tratores não podem ser chamados de férias, e o mais perto que você chegou de uma fêmea, foi das vacas-leiteiras da fazenda do seu pai — o respondeu sem se quer erguer os olhos dos documentos a sua frente.
O Agente Especial Assistente no Comando ASAC, Andrew Folks era um homem experiente, respeitado e temido por todos à sua volta, sua história e excelente currículo por serviços prestados ao seu país o precediam.
Era um homem frio, sério e extremamente exigente Andrew Folks foi referência para Marcus em muitas missões, fora seu professor e mentor, ele tinha por Marcus um carinho especial, ele o via como um filho, Andrew o treinava para ser seu sucessor.
Talvez por tê-lo em tão alta conta, Andrew fingia que não via para as insubordinações do jovem agente.
— Então o que está acontecendo? — perguntou preocupado.
— Sergey Polonov! — foi a resposta sem preâmbulos. O ASAC sabia que esse nome ainda soava indigesto aos ouvidos do agente Marcus.
— Desembucha!
— Sergey foi visto na Colômbia, algo entre Nirkov e chefe do cartel colombiano Mariano Pedra Santa, e pode ter ligação com o atentado em Nova York há alguns anos o caso foi reaberto e você esta a frente dele.
— Ok, mas, porque acredita que tem ligação?
— Você sabe que têm, eles têm mantido relações criminosas desde então.
— Isso é estranho, Nirkov ultimamente não tem feito negócios ele tem tomado posse sem se importar com a contagem de corpos aos seus pés. Ele está de olho no cartel colombiano?
— Isso você dirá, as informações estão na sua pasta.
— Isso é suicídio, não posso ir sozinho.
— Não irá, terá apoio do fantasma! — o chefe disse olhando para ele.
— Tem certeza? Isso pode ser pessoal demais, não sei se o quero comigo nessa.
— Ele é o melhor no que faz, e ele pediu para ser colocado no caso, além disso, se vocês dois não puderem pegar Sergey Polonov, ninguém mais pode. Marcus você é o meu melhor homem, não deixe assuntos pessoais interferirem no seu julgamento.
— Paul não era apenas meu parceiro, ele é meu amigo.
— Sei, e quero Sergey tanto quanto você e é por isso que está aqui, seja cuidadoso Daniells, ok?
— Sempre sou chefe. E quem vou ser dessa vez?
— Desde o atentado de Nova Iorque Pedra Santa tem estado muito mais preocupado com sua segurança, por isso vamos preparar uma emboscada para ele, você vai salvar a vida do i****a e ferir alguns agentes, tem que ser criterioso, o colombiano não é fácil de enganar.
— Inspirador, atirar nos mocinhos e salvar o bandido — o agente revirou os olhos enojado.
— Pedra Santa vai prestar atenção em você, ele tende a ser grato com quem entra na frente de uma bala por ele.
— O que Sergey foi fazer lá? Tem algo aí que não se encaixa ele nunca aparece, por que Nirkov o expôs? Ele é um dos mais procurados pela polícia internacional, não faz sentido!
— Então descubra e faça ter sentido, por isso estou mandando você. Tem as informações em sua pasta. Há uma dívida entre Nirkov e Pedra Santa, tem todos os envolvidos aí. Vá fazer a sua lição de casa.
— OK! Chefe? — Marcus chamou da porta sem se virar.
— Fala! — Andrew respondeu olhando para as costas do agente.
— Devo pegá-lo Vivo?
— Apenas o pegue garoto, vá lá e pegue aquele desgraçado.
Ao entrar em seu apartamento, a pasta queimava um buraco em suas mãos, trazendo lembranças ruins. Marcus jogou-a na mesa ele puxou o ar forçando seus pulmões a trabalhar. Seus olhos viam vermelho, enfim teria a chance dar a Sergey o seu pagamento, e desta vez ele teria certeza de que o bastardo estaria morto.
Abriu a geladeira que como sempre estava vazia, ele pegou uma garrafa de água e a bebeu de uma só vez, Marcus enrolou meticulosamente uma faixa em suas mãos e se concentrou em sua fúria despejando no saco de areia pendurado no meu do seu apartamento, todas as suas frustrações.
Enquanto ele bate as memórias vão se misturando a dor e ao suor. Os gritos do seu parceiro e amigo ecoavam no seu cérebro. Ele falhara com seu amigo, a culpa o corroía.
A mente de Marcus viajou no tempo, eles estavam na cola de uma quadrilha especializada em tráfico de mulheres, Paul e Marcus estavam em um arriscado trabalho disfarçado. Graças a sua capacidade de lidar com tecnologias, Paul e ele acabou com toda a organização criminosa. Na operação, muito peixe grande foi pego, entre eles Pavel Polonov, pai de Sergey, que foi morto durante o processo. Esse caso colocou Marcus e Paul no topo dos melhores agentes.
Sergey conseguiu descobrir que Paul era um dos agentes infiltrados, e o pegou. Seu amigo foi torturado cruelmente, Sergey cortou parte da língua de Paul antes de atirar em sua cabeça. Paul sempre fora o melhor na arte da espionagem, era bom com seus brinquedos eletrônicos. Seu apartamento possuía um excelente sistema de vigilância que foi destruído por Sergey, exceto uma câmera estrategicamente colocada no brinco de Paul, e foi por ela que Marcus viu tudo.
Marcus por um milagre conseguiu salvar seu amigo, e mesmo sem língua se tornou um fantasma do serviço secreto, todos sabem que ele existe, mas ninguém conhece o seu rosto, até porque o velho Paul foi enterrado e aguarda o acerto de contas com Sergey para sair do túmulo.
Marcus saiu do banho, corpo ainda molhado, uma toalha não muito grande pendendo descuidadamente em sua cintura.
Sentando na sua cama, ele abriu a pasta em suas mãos.
Mariano Pedra Santa, cerca de sessenta anos, chefe do cartel colombiano, dono de uma grande refinaria de cocaína, principal fornecedor de drogas para América do Sul e Estados Unidos. Pedra Santa era o número sete, na lista dos mais procurados do FBI, trezentas mortes, quinze delas em solo americano.
Responsável pela entrada de pelo menos 10 toneladas de drogas nos Estados Unidos nos últimos anos.
Viúvo, sua mulher foi morta pela explosão de uma bomba em um hotel em Nova Iorque, os responsáveis pelo atentado ainda não foram encontrados. O filho de Pedra Santa sobreviveu ao ataque, mas ficou com graves sequelas. Ele fora treinado para substituir o pai, o Cartel agora não tinha herdeiros. Pedra Santa teve uma filha, fora do casamento que está aparentemente desaparecida. A mãe fugiu ainda grávida ao descobrir que seu bebê seria dado ao filho do chefe da máfia russa em pagamento de uma dívida.
Pedra Santa é um homem inteligente e frio, seu nome é respeitado e temido em toda a Colômbia. Vive cercado de capangas bem armados, é praticamente inacessível.
O segundo nome na lista pertencia a Juan Carlos Pedra Santa, vulgo Juanito, 32 anos, herdaria o império do pai se não tivesse sido ferido no atentado. Juanito era, sem dúvida, pior que o pai.
— O mundo teve sorte — Marcus resmungou.
Rosa Velásquez, cerca de 40 anos — Ele leu o nome seguinte demorando um pouco mais na foto da jovem. — Rosa havia sido comprada por Pedra Santa quando tinha apenas 14 anos, aos 20 anos engravidou e fugiu do Cartel ao descobrir que sua filha ainda não nascida teria o seu destino, seu paradeiro não é conhecido, muitos acreditam que Pedra Santa a matou.
Nikolai Nirkov, cerca de sessenta e cinco anos, chefe da máfia russa atuante em solo americano, controla as drogas e tráfico de mulheres, comanda os principais centros de prostituição em Orlando na Flórida. Nikolai Nirkov tem aumentado seu império. Em uma guerra sangrenta tem tomado à força o comando de outras facções e organizações mafiosas. O filho de Nikolai Nirkov foi morto por membros da máfia italiana, e Nirkov aposta todas as suas fichas em seu braço direito Sergey Polonov, além de aguardar um grande prêmio que espera receber com o controle da máfia colombiana.
Os olhos de Marcus travaram sobre o nome, a bile subia em sua garganta trazendo um gosto amargo.
— Sergey Polonov — grunhiu diante da ficha com os dados do seu pior inimigo — trinta e seis anos. Principal homem de Nirkov, procurado em mais de quinze países, tanto pela polícia quanto pela máfia.
Exímio lutador, suas técnicas de torturas são conhecidas em todos os círculos do crime organizado. Polonov jamais se deixa ser visto, poucos são os que viram seu rosto e menos ainda os que sobreviveram para contar. Caça tão bem quanto se esconde as fotos tiradas não são precisas e nem se quer podem ser admitidas como sendo realmente dele.
Marcus olha as fotografias em suas mãos e balança a cabeça confirmando que não era seu inimigo naquelas fotografias.
— Eles podem não saber como é o seu rosto, mas eu o sei, e estou oficialmente abrindo a temporada de caça, Polonov.
— Caramba! Sou o orgulho da mamãe com uma ficha dessas. — resmungou sozinho após receber as últimas informações sobre a sua mais nova missão.
Marcus Siegro, 26 anos, professor de educação física, mestre nas artes marciais e após m***r os policiais corruptos que assassinou sua família, Marcus fugiu para a América do Sul.
E estava prestes a se tornar o número um de Mariano Pedra Santa, o chefe do maior Cartel de drogas da Colômbia.