Acordei com o alarme do celular, já era 7h da manhã, levantei, escovei os dentes e fui me jogar uma água, ainda de toalha fiz um pouco de chá e fui bebendo e me arrumando ao mesmo tempo, deixei o cabelo solto, vesti uma calça e a farda do restaurante, comi um pedaço de bolo e sai.
Ao chegar já fui logo para cozinha, prendi o cabelo e coloquei uma rede para não cair cabelo na comida, peguei uma faca e fui cortar os legumes, a minha função era garçonete, mas a da Gabi era ajudante de cozinha.
Quando terminei minhas funções eram 10h, fui até o banheiro e me ajeitei para abrir as portas do restaurante ir atender os clientes.
Pelo movimento, o dia ia ser longo. Quando deu 13h parei pro almoço e descanso de 1h de relógio.
- Laila, já acabou o seu descaso, o movimento aumentou, precisamos de você. Tomei um susto ao ouvir a voz rouca do Bruno me chamando do nada.
Voltei ao expediente e quando me deparo, esbarro em alguém, acabo derrubando a bandeja com alguns copos e uma garrafa de suco vazia, quando eu estava limpando, vi que outra pessoa estava me ajudando.
- Pode ficar tranquilo senhor, esse é meu trabalho.
- Me desculpe senhorita Laila. Quando levantei os olhos, lá estava ele, o rapaz da cachoeira.
- Tudo bem, eu a ajudo a limpar, não custa nada.
Eu estava tão distraída que acabei cortando a mão com o vidro.
- Você está bem senhorita? deixe me ver sua mão. Ele falava levando sua mão até a minha, mas eu não permiti.
Limpei tudo bem rápido e entrei na cozinha em total desespero, Bruno veio em minha direção.
- O que aconteceu com você, por que está tão nervosa. Ele direciona seus olhos para meu corte e continua as perguntas, sua mão, o que foi isso?
- Esbarrei em um cliente. Falei com uma voz trémula.
- Vem cá, vamos fazer um curativo nessa mão. O Bruno falou praticamente me puxando até a sala dos funcionários.
Pegou uma caixa de primeiro socorros na gaveta do armário e começou a limpar e colocar uma faixa em minha mão.
- Está dispensada por hoje, precisa descansar, aliás, antes de ir pra casa, vá ao posto, o corte foi profundo e precisa ser suturado. Ele falou com uma voz de ternura.
Levantei e arrumei minhas coisas para ir até o posto, quando saio pela porta do restaurante vou até a minha moto e procuro a chave na bolsa. Me assusto com uma mão em meu ombro e uma voz grossa.
- Senhorita, você está bem? sua mão, foi algo sério?
Eu não podia acreditar no que meu olhos estavam vendo, tremi na mesma hora.
- O que está fazendo aqui?. Falei com uma voz trémula.
- Calma, eu só fiquei preocupado, não a quis machucar e nem te deixar com medo. Ele falava com calma e com os olhos fixos aos meus, isso me deixava constrangida.
Eu só queria sair dali. Mas ele segurou em meu braço, igual como na cachoeira.
- Senhorita, me deixe pedir desculpas da maneira correta, você não está em comissões de pilotar com essa mão, está sangrando, deixe me leva la até o posto.
Seus olhos negros não saiam da direção dos meus.
- Não conheço, não irei a lugar algum com você, por favor, me solte.
Ele soltou e eu sai andando desenfreada, quase correndo, apesar de tudo, ele tinha razão, eu não estava em condições de pilotar, então fui andando ligeiro com medo de ele vim atrás de mim, quando olhei para trás, ele estava lá parado no mesmo lugar, parecia que estava esperando eu sumir na multidão, então diminuir os passos.
Chegando ao posto, fiz minha fixa e então depois de 40min de espera, finalmente fui atendida e acabei levando alguns pontos na mão, o medico passou uns remédios e recomendou que eu viesse até o posto daqui a 10 dias, para saber se poderia fazer a retirada dos pontos.
Saindo de lá fui até a farmácia mais próxima e comprei os remédios recomendado pelo médico. De lá eu voltei até o restaurante para falar com o Bruno.
- Eu levei alguns pontos e o médico passou alguns medicamentos.
- Se você quiser eu te levo pra casa, estou quase terminando aqui, se quiser esperar.
- Espero sim. Afirmei com um sorriso de canto.
Com pouco tempo ele terminou e então fomos andando até onde estava o carro dele.
- Quer tomar um sorvete?. Ele perguntou enquanto passávamos por uma sorveteira.
Apenas acenei com a cabeça.
Ele adorava sorvete de Morango, e eu amava sorvete de limão e chocolate. Fomos andando até chegar ao carro e ele abrir a porta para mim.
- Milady. foi o que ele disse se curvando em quanto abria a porta.
- Obrigada Cavalheiro, falei em tom de brincadeira. rimos muito e ele entrou no carro logo em seguida.
- O que te deixou tão nervosa Laila? pra fazer vc se machucar dessa forma.
Eu não tinha como mentir pra ele, dava pra sentir o cheiro do meu nervosismo de longe.
- É uma longa história, o cliente em que esbarrei era um rapaz que vi quando eu estava na cachoeira, eu cai no sono e então quando despertei, lá estava ele me encarando, fiquei com medo e sai correndo.
- Mas ele tocou em você? Ele perguntou com uma voz de preocupação.
- Não tocou não, apenas segurou meu braço e perguntou meu nome e depois que eu falei ele me soltou, quando eu estava limpando a sujeira que fiz quando ele esbarrou em mim, ele falou meu nome e me pediu desculpa.
- Se assim menos m*l, não preciso ficar tão preocupado em quebrar a cara de um i****a por tocar em vc. Ele falou com uma voz de possesso de ciúmes.
Bruno era um rapaz alto e de cabelos cacheados, tinha olhos da cor de uma avelã, sua pele era escura e muito bonita, tinha lábios carnudos e uma tatuagem no pescoço, era um pequeno diamante que estava desenhado e em seu braço avia uma bela índia desenhada. Nós nos conhecemos no trabalho e ficamos bem próximos depois de um incidente em que ele me protegeu.
Chegando em frente a minha casa ele me encarou de uma maneira nunca feita antes.
- Você realmente está bem? Ele falou colocando sua mão sobre a minha.
- Estou sim, muito obrigada por perguntar e por me trazer até em casa. Dei um beijo em seu rosto, peguei minhas coisas e sai do carro.
- Tchau Laila, se cuida. Ele falava com ternura, dei um sorriso e um aceno.
Entrei em casa em choque com o que tinha acontecido, tomei um banho gelado e tomei meus remédios, deitei na cama de toalha mesmo e capotei.
Afinal o que me esperava amanhã.