CAPÍTULO 19 — O ESCÂNDALO

746 Words
👑🔥 A notícia começou a circular no fim da tarde. Primeiro como sussurro. Depois como notificação. Em menos de vinte minutos, metade dos funcionários do hotel já tinha visto. Lorrany estava organizando reservas quando Clara apareceu pálida ao lado dela. — Você precisa ver isso… agora. O tom não era curioso. Era assustado. Lorrany franziu o cenho. — O que foi? Clara virou o celular na direção dela. E o mundo pareceu inclinar. Era uma matéria publicada em um portal local de fofocas empresariais. Título chamativo. Cruel. “Funcionária se envolve com magnata grego para garantir cargo em hotel milionário.” Abaixo, fotos. Ela entrando no carro de Nikólaos. Ela saindo do prédio pela manhã. Ângulos distantes. Claramente espionagem. As mãos dela ficaram frias. — Isso é mentira… — sussurrou. — Eu sei! Mas já tá espalhando rápido. Os comentários começavam a aparecer. “Golpista.” “Interesseira.” “Clássico.” A respiração dela ficou curta. Não era a primeira vez que riam dela. Mas dessa vez era diferente. Era público. Era adulto. Era sujo. E envolvia algo que ainda nem tinha começado direito. — Quem faria isso? — Clara perguntou indignada. Lorrany já sabia. Helena. Só podia ser. Antes que pudesse processar mais, sentiu o movimento estranho no saguão. Hóspedes olhando. Funcionários cochichando. E então… O elevador principal se abriu. Nikólaos saiu. O ambiente inteiro mudou. Ele não estava sorrindo. Não estava sereno. Estava perigoso. Muito. Caminhou direto até ela. — Suba comigo. Sem explicar. Sem perguntar. Mas o olhar dele não era acusador. Era protetor. Dentro do elevador, o silêncio era esmagador. Assim que as portas fecharam, Lorrany falou primeiro. — Eu juro que não fiz nada. Nikólaos virou o rosto lentamente. — Eu sei. Simples. Sem dúvida. E aquilo quase a fez chorar. — Estão dizendo que eu usei você. A mandíbula dele travou. — Ninguém usa Nikólaos Kyriakos. A frase não soou arrogante. Soou factual. Ele tirou o celular do bolso. — Já estou cuidando disso. — Como? — Descobrindo quem publicou. Quem enviou as fotos. Quem pagou. A frieza da voz dele era assustadora. Mas não direcionada a ela. Quando chegaram à cobertura, ele a conduziu para dentro. — Você vai ficar aqui hoje. — Não posso simplesmente sumir, vai parecer que— — Lorrany. Ele se aproximou. Segurou o rosto dela com firmeza, mas delicadeza suficiente para não machucar. — Olhe para mim. Ela obedeceu. Os olhos dela estavam brilhando. Não de fraqueza. Mas de frustração. — Você não fez nada errado — ele disse devagar. — E eu não vou permitir que pague por algo que não fez. — Eu tô cansada de ser alvo — a voz falhou levemente. — Na escola… agora aqui… sempre inventam uma versão de mim que não existe. A expressão dele mudou. Mais suave. Mais humana. — Então vamos mudar a narrativa. Ela piscou. — Como? Ele soltou o rosto dela devagar. — Com verdade. Antes que ela pudesse perguntar o que significava, o celular dele vibrou. Mensagem curta. Resposta da equipe de segurança. O olhar dele escureceu. — Foi Helena. O nome caiu como pedra. Lorrany fechou os olhos por um segundo. — Eu sabia. Nikólaos digitou algo rapidamente. — Ela vai se arrepender. — Não — Lorrany respondeu imediatamente. Ele a encarou. — Eu não quero guerra. Não quero vingança. Só quero paz. O conflito apareceu nos olhos dele. Porque ele sabia fazer guerra. Mas paz? Era território desconhecido. Ele respirou fundo. E tomou uma decisão inesperada. — Então vamos resolver de outra forma. Lorrany sentiu o coração acelerar. — Que forma? Nikólaos aproximou-se. O suficiente para que o calor dele envolvesse o corpo dela. — Eu vou convocar a imprensa amanhã. Ela arregalou os olhos. — O quê?! — E vou esclarecer tudo publicamente. — Isso vai piorar! — Não — ele disse firme. — Porque eu não vou negar você. O ar sumiu. — O que quer dizer com isso? Ele sustentou o olhar dela. Sem desviar. Sem recuar. — Eu vou dizer que estou interessado em você. O silêncio que veio depois foi absoluto. Ela sentiu medo. Medo de acreditar. Medo de cair. — Isso não é estratégia? — perguntou baixo. Ele balançou a cabeça. — Não. Outro passo. — É escolha. O mundo dela girou novamente. Mas dessa vez… não por humilhação. Por algo muito mais perigoso. Esperança. Lá fora, Helena recebia uma ligação inesperada. E percebia, tarde demais, que tinha provocado o homem errado. 👑🔥
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