O estacionamento do hotel estava quase vazio quando Lorrany saiu do turno.
O salto já doía.
As costas imploravam por descanso.
E tudo o que ela queria era chegar em casa, tomar banho e esquecer o dia absurdo que tinha sido trabalhar sabendo que o homem mais perigoso — e gostoso — do planeta estava andando pelos mesmos corredores que ela.
Nikólaos Kyriakos.
Só de lembrar, ela bufou.
— Homem bonito demais devia pagar imposto — murmurou sozinha enquanto procurava a chave na bolsa.
O silêncio da noite parecia pesado.
Estranho.
O tipo de silêncio que faz a pele arrepiar sem motivo.
Ela destravou o carro.
E foi quando sentiu.
Alguém olhando.
Lorrany virou rapidamente a cabeça.
Nada.
Apenas carros estacionados e luzes fracas piscando.
— Tá vendo filme demais, mulher… — resmungou, abrindo a porta.
Mas antes que pudesse entrar, um carro preto parou bruscamente atrás dela.
O susto fez seu coração disparar.
A porta abriu.
E Nikólaos saiu.
Imponente.
Grande.
Perigosamente sério.
Nada do sorriso provocador habitual.
Seus olhos estavam duros.
Alertas.
— Entre no carro — ele disse.
Sem explicação.
Sem cumprimento.
Lorrany franziu a testa.
— Boa noite pra você também, senhor educação.
Ele ignorou completamente o sarcasmo.
Aproximou-se.
Perto demais.
— Você não percebeu? — perguntou baixo.
— Perceber o quê?
Nikólaos olhou ao redor antes de responder.
— Um homem estava observando você há quinze minutos.
O sangue dela gelou.
— O quê?
— Meu segurança o viu primeiro.
O humor desapareceu instantaneamente.
— Deve ser coincidência…
— Eu não acredito em coincidências.
A voz dele saiu fria.
Controlada.
Perigosa.
Lorrany cruzou os braços, tentando esconder o nervosismo.
— Olha, eu agradeço a preocupação, mas não precisa agir como se eu estivesse sendo sequestrada.
Nikólaos deu mais um passo.
Agora ela precisava erguer o rosto para encará-lo.
— No meu mundo — disse ele, firme — perigo ignorado vira tragédia.
E algo naquele tom fez o estômago dela apertar.
Ele não estava exagerando.
Estava acostumado com aquilo.
— Você vai comigo — declarou.
— Como é?
— Até entendermos quem era aquele homem.
Ela abriu a boca para discutir.
Mas hesitou.
Porque, pela primeira vez desde que o conhecera…
Nikólaos não parecia o CEO sedutor.
Parecia um homem genuinamente preocupado.
— Eu posso cuidar de mim mesma — disse, mais suave.
Ele assentiu lentamente.
— Eu sei.
Silêncio.
Então completou:
— Mas eu quero cuidar de você.
O coração dela falhou uma batida.
Aquilo não soou como ordem.
Soou como escolha.
E era infinitamente mais perigoso.
Lorrany desviou o olhar.
— Isso é estranho… você m*l me conhece.
Nikólaos soltou uma respiração baixa.
— Conheço o suficiente.
Ele observou o rosto dela.
A postura defensiva.
A força escondendo cansaço.
A coragem misturada com medo.
E percebeu algo que o atingiu com força inesperada.
Ele não queria impressioná-la.
Queria protegê-la.
— Confie em mim esta noite — pediu.
Não exigiu.
Pediu.
E talvez tenha sido isso que a fez ceder.
Lorrany suspirou derrotada.
— Só hoje.
O canto da boca dele ergueu-se minimamente.
— Só hoje.
Quando ela entrou no carro dele, não percebeu o olhar atento dos seguranças ao redor.
Nem o veículo distante que lentamente deixava o estacionamento.
Mas Nikólaos percebeu.
E naquele instante tomou uma decisão silenciosa.
Quem quer que estivesse observando Lorrany…
Tinha acabado de cometer um erro grave.
Porque agora…
Ela estava sob sua proteção.
E homens como Nikólaos Kyriakos não falhavam quando decidiam proteger algo
— ou alguém.
Enquanto o carro arrancava, Lorrany encostou a cabeça no banco, tentando ignorar o calor estranho no peito.
Não era medo.
Não completamente.
Era a sensação perigosa de estar começando a confiar.
E confiança…
Sempre tinha sido o maior risco da vida dela.