CAPÍTULO 13 — O HOMEM QUE NÃO IGNORA O PERIGO

621 Words
O estacionamento do hotel estava quase vazio quando Lorrany saiu do turno. O salto já doía. As costas imploravam por descanso. E tudo o que ela queria era chegar em casa, tomar banho e esquecer o dia absurdo que tinha sido trabalhar sabendo que o homem mais perigoso — e gostoso — do planeta estava andando pelos mesmos corredores que ela. Nikólaos Kyriakos. Só de lembrar, ela bufou. — Homem bonito demais devia pagar imposto — murmurou sozinha enquanto procurava a chave na bolsa. O silêncio da noite parecia pesado. Estranho. O tipo de silêncio que faz a pele arrepiar sem motivo. Ela destravou o carro. E foi quando sentiu. Alguém olhando. Lorrany virou rapidamente a cabeça. Nada. Apenas carros estacionados e luzes fracas piscando. — Tá vendo filme demais, mulher… — resmungou, abrindo a porta. Mas antes que pudesse entrar, um carro preto parou bruscamente atrás dela. O susto fez seu coração disparar. A porta abriu. E Nikólaos saiu. Imponente. Grande. Perigosamente sério. Nada do sorriso provocador habitual. Seus olhos estavam duros. Alertas. — Entre no carro — ele disse. Sem explicação. Sem cumprimento. Lorrany franziu a testa. — Boa noite pra você também, senhor educação. Ele ignorou completamente o sarcasmo. Aproximou-se. Perto demais. — Você não percebeu? — perguntou baixo. — Perceber o quê? Nikólaos olhou ao redor antes de responder. — Um homem estava observando você há quinze minutos. O sangue dela gelou. — O quê? — Meu segurança o viu primeiro. O humor desapareceu instantaneamente. — Deve ser coincidência… — Eu não acredito em coincidências. A voz dele saiu fria. Controlada. Perigosa. Lorrany cruzou os braços, tentando esconder o nervosismo. — Olha, eu agradeço a preocupação, mas não precisa agir como se eu estivesse sendo sequestrada. Nikólaos deu mais um passo. Agora ela precisava erguer o rosto para encará-lo. — No meu mundo — disse ele, firme — perigo ignorado vira tragédia. E algo naquele tom fez o estômago dela apertar. Ele não estava exagerando. Estava acostumado com aquilo. — Você vai comigo — declarou. — Como é? — Até entendermos quem era aquele homem. Ela abriu a boca para discutir. Mas hesitou. Porque, pela primeira vez desde que o conhecera… Nikólaos não parecia o CEO sedutor. Parecia um homem genuinamente preocupado. — Eu posso cuidar de mim mesma — disse, mais suave. Ele assentiu lentamente. — Eu sei. Silêncio. Então completou: — Mas eu quero cuidar de você. O coração dela falhou uma batida. Aquilo não soou como ordem. Soou como escolha. E era infinitamente mais perigoso. Lorrany desviou o olhar. — Isso é estranho… você m*l me conhece. Nikólaos soltou uma respiração baixa. — Conheço o suficiente. Ele observou o rosto dela. A postura defensiva. A força escondendo cansaço. A coragem misturada com medo. E percebeu algo que o atingiu com força inesperada. Ele não queria impressioná-la. Queria protegê-la. — Confie em mim esta noite — pediu. Não exigiu. Pediu. E talvez tenha sido isso que a fez ceder. Lorrany suspirou derrotada. — Só hoje. O canto da boca dele ergueu-se minimamente. — Só hoje. Quando ela entrou no carro dele, não percebeu o olhar atento dos seguranças ao redor. Nem o veículo distante que lentamente deixava o estacionamento. Mas Nikólaos percebeu. E naquele instante tomou uma decisão silenciosa. Quem quer que estivesse observando Lorrany… Tinha acabado de cometer um erro grave. Porque agora… Ela estava sob sua proteção. E homens como Nikólaos Kyriakos não falhavam quando decidiam proteger algo — ou alguém. Enquanto o carro arrancava, Lorrany encostou a cabeça no banco, tentando ignorar o calor estranho no peito. Não era medo. Não completamente. Era a sensação perigosa de estar começando a confiar. E confiança… Sempre tinha sido o maior risco da vida dela.
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