Nikólaos odiava perder o controle.
Era uma regra silenciosa que guiava toda sua vida.
Negócios exigiam frieza.
Poder exigia cálculo.
Relacionamentos… distância.
Sempre funcionara assim.
Até Lorrany.
Ele permaneceu imóvel na sala de reuniões mesmo depois que todos começaram a discutir números, investimentos e projeções financeiras do hotel.
As vozes ao redor tornaram-se ruído distante.
Porque sua mente ainda estava presa ao momento anterior.
Ao quase beijo.
Ao modo como ela não havia se afastado.
Aquilo o perturbava mais do que deveria.
— Senhor Kyriakos?
Ele piscou, voltando à realidade.
— Sim.
O diretor continuava explicando lucros previstos, mas algo chamou sua atenção do outro lado do vidro panorâmico.
Lá embaixo.
No saguão.
Lorrany atendia hóspedes como se nada tivesse acontecido.
Sorrindo.
Educada.
Profissional.
Mas Nikólaos agora enxergava além.
Percebia o esforço.
O modo como ela mantinha a postura apesar dos cochichos ainda acontecendo ao redor.
Ela estava acostumada a lutar sozinha.
E aquilo o incomodava profundamente.
— Precisamos da sua decisão final sobre a compra — insistiu o executivo.
Nikólaos desviou o olhar dela.
Respirou fundo.
Negócios primeiro.
Sempre.
— Continuem sem mim por cinco minutos.
Levantou-se antes que alguém questionasse.
E saiu.
No saguão, Lorrany terminava o atendimento quando sentiu uma presença familiar atrás dela.
Nem precisou virar.
— Você devia estar decidindo se compra metade do Brasil agora.
— Posso decidir isso depois.
Ela virou-se.
Erro.
Porque o olhar dele estava intenso demais.
Quente demais.
— Algum problema? — perguntou desconfiada.
Nikólaos demorou um segundo para responder.
— Sim.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Qual?
Ele hesitou.
Algo raro.
— Você.
Lorrany soltou uma risada curta.
— Olha, se veio reclamar do meu sarcasmo—
— Eu não consigo ignorar você.
O sorriso morreu lentamente em seu rosto.
O barulho do saguão desapareceu ao redor.
— Nikólaos…
— Eu tento focar no trabalho — continuou ele, voz baixa — mas meus olhos procuram você automaticamente.
O coração dela acelerou perigosamente.
— Isso é só atração.
Ele negou devagar.
— Se fosse, já teria passado.
Silêncio.
Pesado.
Sincero.
— Eu conheço desejo — disse ele. — Mas o que sinto quando alguém fala m*l de você… quando vejo você cansada… quando percebo que está fingindo estar bem…
Ele parou.
Como se admitir aquilo fosse difícil.
— Isso não é apenas desejo.
Lorrany engoliu seco.
Parte dela queria acreditar.
A outra gritava alerta.
— Homens dizem muitas coisas bonitas.
Nikólaos assentiu.
— Eu sei.
Outro passo.
Mas mantendo distância respeitosa.
— Por isso não estou pedindo nada.
Ela piscou surpresa.
— Não?
— Apenas sendo honesto.
Aquilo a desarmou completamente.
Sem promessas.
Sem pressão.
Sem sedução calculada.
Apenas verdade.
E aquilo era muito mais perigoso.
Antes que pudesse responder, um hóspede chamou seu nome.
O momento se quebrou.
Ela voltou ao trabalho.
Mas suas mãos tremiam levemente.
Porque, pela primeira vez…
Não parecia que Nikólaos queria conquistá-la.
Parecia que estava aprendendo a senti-la.
Do outro lado do saguão, Helena observava tudo.
Os dedos apertando a taça de água com força.
O sorriso falso desaparecido.
Ciúme puro queimando em seus olhos.
Ela pegou o celular.
Digitou uma mensagem curta.
"Faça acontecer hoje."
Enquanto isso, Nikólaos retornava à reunião sem saber que, naquele exato momento…
alguém decidia transformar Lorrany no centro de um escândalo muito maior.
E desta vez…
não seria apenas fofoca.
Seria guerra.
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