Júlia narrando
Quando abro a porta e dou de cara com ele fico sem reação, eu esperava que algum vapor fosse trazer minha mala e não o próprio terrorista.
Por educação mando ele entrar já que está carregando minhas coisas. Assim que ele coloca a última mala do canto da sala ele fica me olhando com aquele olhar safado, ele vem andando em minha direção, e eu saco a jogada dele, a cada passo que ele dá pra frente eu dou um pra trás, até que sinto a parede gelada na minhas costas, estamos a centímetros de distância, fecho o olho e quando me dou conta do que iria acontecer eu o empurro, e em seguida agradeço pelo favor de trazer minhas coisas e dou a desculpa que estou cansada pra ele dar o fora daqui.
Depois que ele vai embora eu me encosto na porta e solto o ar que eu nem sabia que estava segurando, começo colocar tudo no lugar e mando uma mensagem para minha tia avisando que estou bem e em casa, em seguida mando uma mensagem pra minha amiga Camila, mesmo depois de ir embora mantemos contato e nós falávamos quase todo dia, não vejo a hora de nos vermos.
WhatsApp on:
Júlia: amiga, cheguei no morro e não vejo a hora de te ver, assim que chegar do trampo faz favor de vim me ver pra colocarmos a fofoca em dia.- envio a mensagem e em alguns minutos ela responde.
Camii: até quem fim chegou o dia; pode deixar amiga, assim que sair aqui da loja e chegar no morro passo aí pra te ver e fazermos alguma coisa.
Júlia: ok, estou te esperando!
WhatsApp off
Término de colocar as coisas em ordem e vou tomar um banho, Rio de Janeiro e seu calor é de matar qualquer um.
Tomo meu banho lavando meus cabelos, coloco um macaquinho soltinho e minhas havaianas. Desço até a cozinha e lembro que não tem nada pra comer, preciso ir ao mercado urgente, mas por hora vou até o restaurante de tia Cida na praça pegar uma marmita pra poder almoçar. Saio de casa com meu celular e carteira em direção à praça assim que chego no restaurante vejo o terrorista, Ws é mais alguns vapores sentado em uma mesa, faço a sonsa e passo direto sentido ao balcão.
Júlia: Oi, boa tarde, teria um cardápio por favor?- falo pra atendente que sorri simpática me entregando o menu.
Tia Cida: meu Deus, eu não acredito; como você mudou menina, está mais linda do que eu me lembrava.- a tia Cida vem do caixa me cumprimentar.
Júlia: tia quanto tempo, que saudades!- falo dando um abraço apertado nela, a tia Cida tem um restaurante no morro que deixa muitos do asfalto no chão, ela era grande amiga da minha mãe.
Tia Cida: você está tão linda, muito parecida com sua mãe, e eu sinto muito por sua perda, e lamento mais ainda por não ter conseguido ir ao enterro, mas você sabe não tinha como deixar o restaurante sem ninguém.
Júlia: Obrigada tia, e sem problemas eu sei o quanto a senhora e minha mãe eram amigas. Mas me diz aí o que tem de gostoso aí hoje? Estou morrendo de fome e com saudade do seu tempero. - digo fazendo biquinho e logo depois da do risada. De onde estou consigo ver que o i****a do terrorista não tira o olho de mim.
Tia Cida: tem seu prato preferido, lasanha ao molho branco, espera aí que vou mandar preparar a sua marmita agora mesmo ou vai comer aqui?
Júlia: pra viagem tia.- falo e vejo a tia indo pra dentro do balcão.
Passo o tempo mexendo no meu celular enquanto minha comida não vem, estou de costas pra mesa dos meninos e então escuto uma voz fina e insuportável invadir o local e mesmo estando um pouco afastada não tem como não ouvir já que a gata parece ter um microfone na garganta.
Carol: amor, porque não foi pra casa almoçar? Fiquei te esperando.- Juro que me da náusea só de ouvir ela falar
Terrorista: Pow, tava resolvendo uns b.o na boca e vim comer aqui na tia Cida mesmo.
Carol: amor, preciso de dinheiro pra ir no shopping comprar algumas coisas, meu cartão sumiu tive que cancelar e pedir outro.
A mocinha que estava no balcão veio até mim me entregando meu pedido e quando fui pagar no caixa a tia Cida não quis cobrar, disse ser por conta da casa pra matar a saudade, é mesmo de muito insistência ela não deixou eu pagar, agradeci e estava saindo pra voltar pra casa, assim que passo pela mesa aonde o terrorista está vejo a Carol me olhar de cima baixo e fazer cara de nojo. Passo dando uma piscada pro Ws que fala comigo assim que passo por eles, saio do restaurante indo sentido minha casa, quando estou quase chegando vejo a otaria da Carol passar de carro com a Bruna, certas coisas nunca mudam, continuam se achando essas duas.
Entro em casa e vou comer minha comida e meu Deus eu tinha me esquecido de como a comida do restaurante da tia Cida era boa.
Depois de comer deito um pouco e caio no sono, acordo depois de algum tempo com alguém batendo a porta, desço correndo as escadas e assim que abro a porta vejo a Camilla, como eu senti falta da minha amiga, nesses 5 anos que fiquei em São Paulo nos falávamos quase todos os dias e nós vimos apenas 2 vezes quando ela foi ate São Paulo.
Júlia: amiga, quanta saudade eu estava.- falo a puxando pra um abraço
Camilla: que bom que você está de volta amiga, senti sua falta, mas agora vamos quebrar tudo, dar o que falar nesse morro. - ela fala do jeito dela toda doida, eu amo esse jeitinho dela.
Ficamos conversando até tarde, resolvemos pedir uma pizza e a Camilla resolveu dormir aqui em casa já que amanhã iria trabalhar de tarde.