Paula narrando Estava tudo uma confusão tão grande que eu já nem sabia mais em que momento tinha deixado de ser apenas uma engenheira que subiu uma favela para impedir um projeto absurdo e me transformado em alguém que estava sentada dentro de um hospital improvisado esperando notícias de um homem que eu nem conhecia direito. Desde a hora em que o carro parou na frente daquele postinho e os vapores arrancaram o Bomba de dentro do banco traseiro, tudo aconteceu rápido demais. Gente correndo de um lado para o outro, rádio chiando sem parar, enfermeiras aparecendo às pressas, a Juliana desesperada acompanhando a maca enquanto gritava por médico, por material, por qualquer coisa que pudesse manter o irmão vivo. Eu tinha descido do carro com as mãos cobertas de sangue, a roupa manchada e a ca

