Talvez uma solução

863 Words
O campus da faculdade estava mais movimentado do que eu imaginava para uma manhã de terça-feira. O som das conversas e o barulho dos pés batendo nas calçadas de pedra ecoavam pela área central enquanto eu caminhava em direção à minha primeira aula do dia. O céu estava cinza e nublado, como de costume, e a neve que ainda não derreterá completamente tornava a atmosfera um pouco mais fria do que eu gostaria. Mas, no fundo, eu não me importava muito com o clima. Havia algo maior me aguardando ali: uma chance de começar de novo, de verdade, na faculdade. Enquanto eu caminhava pela praça principal, tentando não ser atingida por grupos de alunos apressados, fui abordada por uma garota que parecia ser da minha idade. Ela estava com um sorriso simpático e uma expressão amigável. Ela usava um casaco vermelho e jeans, e seus cabelos castanhos estavam soltos, caindo suavemente ao redor de seu rosto. — Oi, você é nova aqui, não é? — Ela perguntou, aproximando-se de mim com um tom acolhedor. — Sim, sou a Megan. Acabei de me mudar para cá, na verdade. — Respondi, sorrindo timidamente. — E você é? — Ah, claro! Eu sou a Laura. Estamos na mesma turma de introdução à Psicologia. — Ela sorriu, como se estivesse satisfeita por ter encontrado alguém com quem conversar. — Eu sou daqui mesmo, e você? De onde você veio? — Ah, eu sou de Manaus. Mudei para cá com a minha família há pouco tempo. — Respondi, tentando me acostumar com o som da minha própria voz no ambiente tão frio e distante. A conversa fluiu naturalmente. Laura era extrovertida, diferente de mim, mas ainda assim agradável. Ela parecia ter uma presença forte, mas não invasiva. Conversamos sobre os primeiros dias da faculdade, as matérias, e sobre como estávamos tentando nos adaptar à vida em Ohio. Logo, fomos chamadas para entrar na sala de aula, e nos sentamos lado a lado. Durante a aula, mantivemos um bate-papo leve, trocando risadas discretas durante as partes mais monótonas da aula. Após o término da aula, Laura sugeriu que fossemos para a cafeteria juntas. Ela estava com um olhar curioso, como se quisesse me conhecer melhor, então, aceitei. Ao chegarmos, nos sentamos em uma mesa perto da janela, e logo estávamos falando sobre mais coisas: nossos interesses, nossas famílias, o que nos trouxe até ali. Eu estava começando a me sentir mais à vontade com ela, e aos poucos, as barreiras estavam caindo. Foi então que, durante um intervalo na conversa, Laura começou a falar sobre sua família. — Bem, minha família não é muito diferente de qualquer outra. Tenho meus pais e um irmão mais velho, o Pedro. Ele trabalha com um tipo de... investigação, sabe? Ele trabalha para uma agência de segurança privada, e o trabalho dele envolve, principalmente, procurar pessoas que estão foragidas. Pessoas desaparecidas, suspeitos de crimes, essas coisas. — Laura disse, olhando para o café em sua xícara, como se estivesse pesando cada palavra. Eu a observei, um pouco surpresa pela revelação. — Uau... isso parece sério. Deve ser uma área bem intensa. — Respondi, tentando entender melhor. — Ele já... encontrou alguém que você conhece? Laura olhou para mim, uma expressão de tristeza, mas também de orgulho, se misturando em seu rosto. — Ele já encontrou muita gente, algumas de forma mais complicada que outras. Mas... às vezes ele fala de coisas que eu preferia não saber, sabe? Às vezes, o trabalho dele é muito sombrio. Mas, por outro lado, ele sempre me diz que é uma maneira de ele ajudar. — Laura fez uma pausa, pensativa. — Eu nunca realmente falei sobre isso com ninguém. Mas achei que você entenderia. Pedro é uma pessoa... difícil, mas ele tem um bom coração. Eu fiquei em silêncio, absorvendo o que ela estava me dizendo. O fato de ela ter falado sobre seu irmão com tamanha sinceridade me fez confiar nela de uma maneira que eu não esperava. Ela parecia ter o tipo de conexão com o irmão que poucas pessoas têm com a família. — Isso é... interessante. — Comecei, hesitante. — Na verdade, eu estou em busca de algumas respostas sobre uma situação aqui na cidade... algo estranho está acontecendo com um dos meus vizinhos. Não sei se é algo grande, mas... eu estou começando a achar que há algo fora de lugar. Você acha que seu irmão poderia ajudar com isso? — Perguntei, sem pensar muito nas palavras. Laura me olhou, surpresa com a pergunta, mas logo seu olhar se suavizou. — Eu posso perguntar a ele. Não sei se ele vai se envolver, mas, talvez, ele tenha alguma ideia de como lidar com isso. — Ela respondeu com um sorriso meio envergonhado. — Não custa tentar. Uma sensação de alívio e nervosismo se misturou dentro de mim. Talvez Laura fosse a chave para desvendar algo que eu não conseguia compreender, algo que parecia estar tão fora de alcance. Pedro, o irmão dela, poderia ser a solução para o que estava acontecendo ao meu redor. E talvez, finalmente, eu conseguisse entender o que realmente estava acontecendo naquela cidade silenciosa e cheia de mistérios.
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