Ivy A luz quente da tarde atravessava a janela da sala como um facho tímido, iluminando partículas de poeira que dançavam no ar. O apartamento estava silencioso, tão silencioso que o meu próprio coração parecia ecoar dentro de mim, como se soubesse que algo estava prestes a mudar. A manhã tinha sido tranquila, quase leve demais, como se a minha vida estivesse fazendo as pazes comigo. E foi justamente nessa calmaria que a memória me encontrou. Eu estava abrindo as caixas antigas que Julia trouxe do quartinho de depósito. A maioria das caixas era minha, cadernos rabiscados, fotos de madrugada, roupas que já não vestiam o corpo que o tempo moldou. Mas uma delas… uma delas estava marcada com um pedaço de fita crepe escrito “K”. Karen. Meu estômago revirou como se tivesse engolido parte do

