Nicolas A luz da cozinha era suave demais para a hora da noite. Um dourado ameno que se derramava pelas superfícies, refletindo no vidro da bancada e criando sombras que tremulavam como se respirassem. Talvez fosse eu. Talvez fosse ela. Talvez fossem nossas memórias tentando se insinuar pelos cantos da casa, como o cheiro de canela que insistia em permanecer preso às paredes desde que Ivy voltou. Ela estava de costas, mexendo algo na panela. O vapor subia, serpenteando perto do rosto dela, tocando seu pescoço exposto. A pele brilhava sob a luz — não por vaidade, mas porque ela sempre foi feita de detalhes que ninguém me ensinou a ver e que eu, i****a, passei anos fingindo não notar. Agora eu via. Via mais do que deveria. Via o que nunca esqueci. Respirei fundo antes de entrar. Não queri

