Marcco Eu não sabia como começar a respirar outra vez naquele corredor silencioso. O som da porta batendo atrás do Nicolas ainda vibrava nas paredes, como se tivesse deixado um eco que não pertencia a esta casa — ou talvez pertencesse, mas eu nunca tive coragem de escutar. Nunca pensei que um dia meu filho olharia para mim daquele jeito. Como quem finalmente enxerga o monstro atrás do pedestal. Eu fiquei parado, imóvel, tentando entender em que parte exata da minha vida eu comecei a errar tanto. Mas a resposta me atingiu com a mesma força que a acusação dele: “Você ajudou a destruir meu casamento.” Aquela frase não saiu mais da minha cabeça. Repetia, voltava, batia, queimava. Era como se cada sílaba tivesse encontrado um canto dentro de mim que eu jurava estar morto. Eu sempre f

