MARCCO O salão do hospital estava iluminado demais para o tipo de verdade que escorria entre aquelas paredes. Claridade branca, cortante, refletindo no piso brilhante, nos vidros, nos rostos maquiados, nos sorrisos ensaiados. Era um cenário perfeito para esconder mentiras. Ou para revelá-las. Eu estava a alguns metros dela. Julia. Ela estava de costas para quase todo mundo, mas não para mim. O mundo parecia seguir normalmente: conversas, risadas, taças se encostando, mas meu corpo sabia antes da minha mente: alguma coisa estava errada. Muito errada. A postura dela sempre foi impecável, elegante, precisa. Mas ali… estava fora de eixo. O ombro tremia. A respiração não encaixava. Uma das mãos subia até o rosto como se quisesse esconder um pedaço dela que não deveria ser visto. E eu vi.

