Nicolas O silêncio do meu escritório nunca pesou tanto. Ele se espalha pelos móveis, toma a sala inteira, se derrama sobre mim como se quisesse me obrigar a sentir cada erro, cada cegueira, cada marca que deixei nela e em mim mesmo. E pela primeira vez… eu não fujo. A luz quente do abajur acende metade da sala e deixa a outra metade mergulhada em sombra — como se até o ambiente soubesse que eu fui construído em dois extremos: a parte que ama demais e a parte que destrói para não perder. As provas estão todas diante de mim. Folhas impressas, prints, documentos, conversas, datas — uma sequência organizada de destruição. O tipo de destruição que não fiz com as mãos, mas permiti com o silêncio. Eu respiro fundo. O cheiro do whisky que deixei no chão há pouco ainda paira no ar. O copo

