Nicolas O sol ainda nem tinha decidido nascer quando acordei. Passei a mão no rosto, tentando expulsar a insônia que já vinha me consumindo há dias, mas não adiantou. O motivo do meu estado continuava ali — a poucos metros de mim — dormindo em um quarto que já foi nosso, respirando uma paz que eu não sabia mais como tocar. Ela sonhara. Eu ouvi. Um gemido contido, um suspiro brusco, um movimento no colchão que fez o chão ranger. E, por um segundo, a ilusão me atravessou como uma faca quente: a ilusão de que ela chamava por mim. Mas não fui até ela. Pela primeira vez em anos, não obedeci ao impulso de procurá-la no escuro. Talvez porque eu saiba que qualquer aproximação agora é uma linha entre vida e morte. Talvez porque, se eu a tocasse como meu corpo implorava, ela fugiria pela últ

