Karen Eu sempre soube que a queda de um império começa com um sussurro. Mas nunca imaginei que o meu começaria com uma risada. Não uma risada alta, debochada, de vitória — não. Aquela risada era baixa, presa, abafada… dessas que o homem tenta esconder porque sabe que, se alguém ouvir, vai perceber que alguma coisa mudou. E Nicolas nunca ria. Nunca. Por isso, quando passei pelo corredor de vidro que separava minha sala da diretoria e ouvi a voz de Symon dizer — quase cantar: — Alguém curou as suas bolas roxas… dá pra ver pela sua cara — eu simplesmente parei. Meu salto estancou no chão frio. Meu coração também. Symon ria. Nicolas… não negou. Não negou. Aquele silêncio dele sempre foi o pior tipo de resposta: o que não admite, mas confirma. O que não diz, mas entrega. E eu

