Ivy A luz do corredor era suave demais para a noite que eu carregava dentro de mim. Amarelada, quente, quase íntima. O tipo de luz que transforma qualquer sombra em lembrança. E talvez por isso eu estivesse ali parada, com uma respiração curta demais para quem jurou que já não sentia nada. O silêncio entre nós sempre foi pior que qualquer discussão. Sempre foi mais perigoso que qualquer toque. O silêncio dele… sempre soube me despir mais rápido que as mãos. E era exatamente esse silêncio que estava sentado na borda da cama, com a cabeça inclinada, as mãos apoiadas nos joelhos, como se estivesse tentando se convencer de algo que nem ele acreditava. Nicolas. O nome que minha pele sempre reconheceu antes de qualquer pensamento. Eu não sei quem respirou primeiro quando entrei. Só sei que

