Ivy A sala de reunião de Nicolas sempre teve a mesma energia que ele: fria, luxuosa e calculadamente impecável. Mármore, vidro, aço. Linhas retas. Nada fora do lugar. Nada que denunciasse sentimento algum. E talvez por isso eu empurrei a porta sem pedir permissão, sem respirar fundo antes, sem pensar se era o momento certo. Eu não tinha mais momentos certos com ele. Só cicatrizes. A secretária se levantou tão rápido que quase derrubou o tablet. —Ivy, você não pode— Mas eu já estava entrando. E foi aí que aconteceu. Ele ergueu a cabeça. O mundo parou. Minha pele arrepiou tão rápido que doeu. O perfume dele — madeira escura, âmbar, alguma coisa quente e proibida — atravessou o corredor e veio direto para mim. Era como andar de encontro a um passado que eu jurei nunca mais encarar de

