Ivy A luz do final da tarde escorre pelos vitrais da mansão como se o tempo tivesse parado ali dentro. O cheiro também. Um misto de madeira antiga, flores frescas e algo que sempre foi impossível de ignorar: ele. Ainda pairava no ar, como se tivesse sido destilado nas paredes. Como se a casa respirasse Nicolas. Eu não queria estar ali. As minhas mãos tremiam quando empurrei a porta, não por fraqueza, mas porque cada centímetro daquele lugar me devolvia um pedaço da vida que enterrei para conseguir sobreviver. Tudo permanecia igual. O tapete, as esculturas, as plantas que eu regava, as fotografias nas paredes — inclusive a única que pedi para não deixarem, mas que ele deixou, porque sempre fez questão de me lembrar que eu era parte daquele mundo, mesmo quando me jogou para fora dele. A

