Nicolas A casa estava silenciosa demais quando cheguei. Silenciosa a ponto de o ar parecer mais denso, como se tivesse memória, como se tivesse pele. Como se respirasse junto comigo. Ou talvez fosse só ela. Ivy. A única mulher capaz de me fazer perder o eixo com um único olhar. A única capaz de desmontar cada defesa que passei anos treinando. Ironia: passo a vida enfrentando crises econômicas, conselhos administrativos armados para me derrubar, alianças sujas, quedas de mercado, e nada disso jamais me desestabilizou tanto quanto a forma como ela mastiga um pedaço de chocolate. Nada. E era exatamente por isso que eu a evitava. Não por não desejá-la. Mas porque a desejava demais. Desejava de um jeito que me fazia perder o controle, perder o foco, perder o que eu jurava que ainda er

