Ivy O cheiro chega antes dele. Café forte, doce no ponto certo, o tipo que só ele sabia fazer. A fumaça sobe devagar da xícara, esparramando pelo ambiente uma memória que eu jurei enterrar. Mas o aroma atravessa todas as minhas defesas, como se tivesse sido inventado para abrir portas dentro de mim. Quando passo pela porta da cozinha, encontro Nicolas ali, de costas para mim, a camisa social ainda sem o paletó, mangas dobradas até o antebraço, cabelos úmidos como se tivesse lutado contra a própria madrugada. Ele mexe o café como quem pensa demais. E eu sinto. Sinto o homem que foi meu marido. O homem que eu desejei primeiro. O homem que me destruiu sem perceber. O homem que agora tenta, de alguma forma torta, remendar um vaso que ele mesmo derrubou no chão. Meu corpo reconhece an

