Nicolas A casa está silenciosa quando volto. Um silêncio que não combina com o que eu carrego por dentro. Um silêncio que parece observar cada passo meu, como se julgasse o peso que trago nas mãos — e nas costas — desde que Ivy voltou. Não foi um pedido. Não foi um convite. Foi um instinto. O mesmo instinto que me fez atravessar oceanos por ela anos atrás. O mesmo que hoje me aperta o peito como se tentasse me impedir de respirar. Coloco a chave sobre o balcão. A luz da manhã corta pela janela de vidro e desenha o ambiente com tons dourados. O cheiro do café — aquele que preparei para ela — ainda paira. E isso… isso me acerta como um golpe no estômago. Eu quase vejo a cena como se ela ainda estivesse aqui: Ivy com a mão na xícara, os olhos tentando esconder tudo o que o corpo gritava

