Ivy O silêncio tem cheiro. O dele, principalmente. Eu estava deitada de lado, os olhos fechados apenas por teimosia, tentando convencer meu corpo de que descansar era possível. Mas o ar mudou. A temperatura mudou. A sombra mudou. É como se a casa inteira prendesse a respiração quando ele chegava perto — e o meu corpo, esse traidor fiel, reconhecia antes de qualquer outro sentido. Eu sabia que Nicolas estava ali. Mesmo antes do passo mais leve. Mesmo antes da porta ranger quase sem força. Mesmo antes da respiração dele tocar o corredor. O meu corpo sempre soube. E isso me matava. Cada músculo meu ficou tenso de um jeito que doía. Tentei não mexer. Tentei parecer indiferente, contínua, intacta. Mas o silêncio dele tocou minha pele como se fossem mãos. Ele não entrou no quarto. Não

