Ivy Eu ainda sentia o gosto dele. Horas tinham passado desde o beijo, mas o sabor insistia em permanecer na minha boca como se o tempo não tivesse força suficiente para apagá-lo. Como se o beijo tivesse sido tatuado na pele, na memória, nos lugares que ele sempre soube tocar sem encostar direito. Quando subi para o quarto, minhas pernas estavam trêmulas — não de fraqueza, mas de consciência. Consciência do que meu corpo tinha pedido. Do que minha boca tinha permitido. Do que minha alma tinha feito sem me consultar. Fechei a porta atrás de mim com um cuidado irritante, quase como se o silêncio precisasse ser protegido. Inclinei a testa na madeira fria e respirei fundo, tentando expulsar o tremor que ele tinha deixado. Mas o corpo… o corpo não obedecia. Porque o corpo sempre soube antes

