Symon A primeira coisa que percebo quando entro na casa é o cheiro. Não de comida. Não de flores. Não de perfume. Mas o cheiro silencioso de dois mundos em atrio, como se o ar tivesse sido dividido em duas metades diferentes e obrigadas a coexistir sem se tocar. É o tipo de atmosfera que só existe quando sentimentos grandes demais tentam caber em espaços pequenos demais. É o tipo de silêncio que meu irmão sempre provocou. Eu fecho a porta devagar e deixo o som ecoar pelo corredor como um aviso. Não tenho o hábito de invadir, mas naquela casa eu sempre fui e sempre serei o intruso. Uma sombra que passa, um observador atento, alguém que percebe antes que falem. E hoje, especialmente hoje, eu precisava perceber. Ouvir. Observar. Entender. Porque Nicolas não vai admitir. Ivy não

